Latim e Direito Constitucional

Morto Augusto, em 14 a.D., a monarquia tornou-se verdadeiro despotismo, sufocando toda a aspiração de liberdade e de independência.

Em literatura, tudo o que era espontâneo se considerava medíocre. Os historiadores só narravam os fatos que não tivessem relação com a vida contemporânea. Só os gramáticos e juristas podiam atender aos seus estudos sem temor.

M. Veleio Patérculo (M. Velleius Paterculus), nascido em 20 a.D., escreveu Historiae romanae ad M. Vinicium consulem libri II, breve resumo de história geral até à destruição de Cartago.

Valério Máximo (Valerius Maximus), seu contemporâneo, escreveu uma coleção de anedotas, Factorum dictorumque memorabilium libri IX, dedicada em lisonja ao imperador Tibério. 

A. Cornélio Celso (A. Cornelius Celsus) tornou-se conhecido especialmente por um tratado de medicina, De artibus, que inclui também idéias sobre retórica, leis, filosofia e agricultura. 

Fedro (Julius Phaedrus) foi o único poeta do império de Tiibério. Publicou cinco livros de fábulas esópicas com prováveis alusões aos acontecimentos de sua vida. Nenhum autor conseguiu até hoje superá-lo no gênero. La Fontaine não passa, o mais das vezes, de mero tradutor do liberto de Augusto.

Cláudio (Claudius) ocupou-se de questões gramaticais e de história.

Nero (Nero) cultivou a poesia com entusiasmo. Compôs um poema épico sobre a guerra troiana.

L. Aneu Sêneca (Lucius Annaeus Seneca), nascido em 4 a.C., teve por base filosófica o estoicismo, corrigido e temperado por outros sistemas. Dele são: De ira, De consolatione, De constantia sapientis.

Q. Cúrcio Rufo (Q. Curtius Rufus) escreveu Historiae Alexandri Magni, cujo trabalho possui a aparência mais de romance do que verdadeira história. 

L. Júnio Moderado Columela (L. Junius Moderatus Columella) compôs De re rustica e De arboribus; inferior a Virgílio, a quem imita.

Q. Rêmio Palesmão (Q. Remius Palaemon), famoso gramático, escreveu biografia de Salústio e um comentário histórico a todas as orações de Cícero.

Pompônio Mela (Pomponius Mella), geógrafo perfeito, descreveu o mundo antigo. Em De situ orbis acrescenta interessantes indicações sobre os usos e costumes dos vários povos da África, do Egito, da Arábia, da Síria, isto é, de todos os países da costa do Mediterrâneo.

A. Pérsio Flaco (Aulus Persius Flaccus) nasceu em 34 a.D. Entre os seus escritos existem seis sátiras (Satirae), dirigidas contra o mau gosto dos poetas e do público do seu tempo.

M. Aneu Lucano (M. Annaeus Lucanus), nascido em 39 a.D., é o mais eminente poeta épico da litertura latina, depois de Virgílio. Conhecidos são um epigramma e o grande poema épico Pharsalia.

C. Petrônio Árbitro (Caius Petronius Arbiter) escreveu Satiricon, espécie de romance cômico, contendo notícias sobre os costumes, a moralidade e sobre a língua do tempo.

O imperador Vespasiano (Vespasianus) promoveu as letras, fixando um estipêndio aos mestres de retórica gregos e latinos. Durante seu governo e no de Tito se assinalaram:

C. Plínio Segundo (Caius Plinius Secundus), conhecido como Plínio, o Velho, deixou Naturalis Historia, espécie de enciclopédia em que recolheu com o escopo de cultura tudo aquilo que julgava digno de ser conhecido.

C. Valério Flaco (Caius Valerius Flaccus) é autor do poema épico Argonautica, com elaboração das cenas afetivas e dos caracteres dos heróis.

O império de Domiciano (Domitianus) e sua brutal tirania suprimiram toda a nobre aspiração na vida moral e intelectual dos romanos.

C. Sílio Itálico (C. Silius Italicus) nasceu em 25 a.D. e deixou o poema Punica, que serviu de fundamento à história de T. Lívio (Titus Livius).

P. Papino Estácio (P. Papinius Statius) nasceu em 45 a.D. Escreveu Thebais, onde trata da luta entre os dois irmãos Etéoclo e Polinício. Em Achilleis descreve a cena em que Aquiles é descoberto por Ulisses.

M. Valério Marcial (M. Valerius Martialis) nasceu em 40 a.D. e escreveu epigramas (Líber spectatorum) relativos à vida social dos romanos contemporâneos.

M. Fábio Quintiliano (M. Fabius Quinctilianus) nasceu em 35 a.D. Conseguiu fama como mestre de retórica e foi o primeiro a receber estipêndio do Estado. Sua obra maior, De institutione oratoria, compreende o resultado de uma longa experiência didática e é um completo sistema de preparação para o futuro orador, com preceitos exemplificativos e com acenos sobre a educação em geral.

S. Júlio Frontino (S. Julius Frontinus), nascido em 40 a.D., foi o mais nobre caráter de toda esta idade. Escreveu De agrorum qualitate, De controversiis, De limitibus. Em De re militari romanorum expôs os preceitos de tática e discorreu sobre outros assuntos militares. Strategematon libri IV é uma coleção de estratégias militares. De aquis urbis Romae é um livro que trata de tudo o que diz respeito aos planos, à construção e à manutenção dos aquedutos, de muita importância para a história da arquitetura antiga.

Emílio Aspro (Aemilius Asper) foi excelente comentador de Virgílio, Salústio e Terêncio. Escribônio Largo (Scribonius Largus), médico do imperador Cláudio, nos deixou um receituário de medicina: Compositiones medicamentorum.

P.S.: Artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias – MA), em 02/05/2004.

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