Latim e Direito Constitucional

A passagem da República para a monarquia exerceu grande influência sobre a vida literária dos romanos. A liberdade desapareceu, e fazer valer no senado ou no foro os antigos direitos era um perigo de exílio ou de morte.

A literatura e a filosofia tornavam-se um artifício. Os espíritos nobres procuravam conforto nas doutrinas dos estóicos; os demais seguiam as teorias de Epicuro, que pareciam oferecer uma vida de prazeres e de gozos.

Os literatos que assistiram à ruína da República mostram um sentimento de tristeza pela liberdade perdida. 

Augusto (Caius Octavius Augustus) foi um grande constitucionalista. Além de excelente orador, pela elegância, clareza e concisão, ocupou-se da poesia, escrevendo Sicilia e uma coleção de epigramma. Em prosa, sua obra consiste em três livros (volumina), que tratam das disposições para o seu funeral, das suas empresas (index rerum a se gestarum), de uma estatística dos homens aptos para as armas e do montar do tesouro público.

C. Cílnio Mecenas (C. Cilnius Maecenas), nascido em 69 a.C., era conselheiro de Augusto. Por antonomásia, seu nome veio a significar protetor das letras. Sua fama é devida mais à sua intimidade com Augusto e com os maiores poetas da época do que aos seus méritos literários. 

M. Vipsânio Agripa (M. Vipsanius Agrippa) nasceu em 63 a.C. Escreveu commentarii da distribuição das águas em Roma e a sua própria biografia (vitae descriptio) em dois livros.

Asínio Polão (Asinius Pollio) entregou-se às letras e à oratória, seguindo o genus medium, isto é, entre o asiático e o ático. Escreveu Tragoediae, Historiae, Orationes e Criticismus.

M. Valério Messala Corvino (M. Valerius Messala Corvinus), nascido em 58 a.C., foi celebrado como orador, compôs bucólicas do gênero virgiliano e escreveu sobre assuntos gramaticais.

L. Vário Rufo (L. Varius Rufus) é autor de poemas épicos sobre a morte de César (De morte Caesaris), sobre as empresas de Augusto e, também, de uma tragédia chamada Tieste.

Emílio Macrão (Aemilius Macer) deixou alguns poemas didascálicos: Ornithogonia, Terriaca e De herbis.

P. Virgílio Marão (Publius Vergilius Maro) nasceu em 10/10/70. Considerava a poesia como arte que não admite ofensa nem à eufonia nem às leis da linguagem. A língua e o estilo dele serviram de modelo aos poetas posteriores. Escreveu: Bucólicas (Bucolica) ou composições pastoris; Geórgicas (Georgica), que tratam da agricultura, das árvores, da criação do gado e das abelhas; e Eneida (Aeneis), um poema em que ele tira partido da crença de que os romanos eram descendentes dos troianos, para ligar a gente Júlia a Júlio, filho de Enéias, neto de Vênus, estabelecendo assim origem divina para a pessoa de Augusto – obra-prima que supera todos os poemas épicos precedentes, favor que nenhuma crítica pôde diminuir. Seus poemas menores foram: Culex, Ciris, Moretum, Copa e Catalecta.

Q. Horácio Flaco (Quintus Horatius Flaccus) nasceu em 65 a.C. Preferiu fixar-se em questões sociais e literárias, tratando do exercício sobre modelos gregos, sua imitação, e do desenvolvimento dos argumentos tomados da vida que o cercava. Das suas epístolas (sermones) a mais longa é a dirigida aos irmãos Pisões (Líber de arte poetica), em que discute questões literárias.

Álbio Tibulo (Albius Tibullus), o mais célebre escritor de elegias na idade de Augusto, tratou de assuntos eróticos. As melhores são dedicadas à amante Délia.

Públio Ovídio Nasão (Publius Ovidius Naso) nasceu em 45 a.C. Foi um dos mais fecundos poetas de sua idade, manifestando na elegia erótica o peculiar de seu engenho. Suas obras são: Amores, quadros eróticos; Epistolae, cartas de amor; Medicamina faciei, o toucado feminino; Ars amandi, ensinamentos para os amantes; Remedia amoris, os meios para acalmar a paixão; Metamorfoses, narrativa fantástica da transformação dos seres da natureza; Tristia, cartas escritas durante longa viagem; Epistolae ex Ponto, da mesma natureza que as anteriores; Íbis, invectiva contra um inimigo seu; e Fastos, em que descreve os fenômenos celestes de cada mês.

Amigos de Augusto que cultivaram a poesia foram Pôntico (Ponticus), Macrão (Macro), Cornélio Severo (Cornelius Severus), Júlio Antônio (Julius Antonius), Pedão Albinovano (Pedo Albinovanus), Grácio Falisco (Gratius Faliscus) e M. Manílio (Marcus Manilius).

Tito Lívio (Titus Livius) nasceu em 59 a.C. e foi um dos maiores historiadores do período de Augusto. Meteu mãos à obra de narrar a história de Roma em Annales e Res romanae ab urbe condita ou simplesmente Ab urbe condita libri. Para ele a história tem a tarefa de tornar-se um meio de ilustração e de emulação. Por isso, aceitou e repetiu as asserções dos predecessores.

Pompeu Trogo (Pompeius Trogus) escreveu Historiae Philippicae, em que se narravam as vicissitudes da Macedônia e dos sucessores de Alexandre Magno.

Outros historiadores foram: Fenestela (Fenestella), M. Vério Flaco (M. Verius Flaccus), Santra (Sanctra), Gávio Basso (Gavius Bassus), Sínio Capitão (Sinnius Capito) e Júlio Higino (Julius Hyginus).

Escritor de matérias científicas foi Vitrúvio Polião (Vitrivius Pollio).

Juristas eminentes: C. Hélio Galo (C. Aelius Gallus), M. Antístio Labeão (M. Antistius Labeo) e C. Atílio Capitão (C. Ateius Capito).

Os estudos filosóficos eram cultivados pela classe mais elevada de Roma, por diletantismo.

À oratória dedicaram-se T. Labieno (T. Labienus) e Cássio Severo (Cassius Severus).

Dos retóricos são conhecidos P. Rutílio Lupo (Publius Rutilius Lupus) e M. Aneu Sêneca (M. Annaeus Seneca). Este último publicou uma coleção de Controversiae e uma obra intitulada Suasoriae, fonte preciosa para a história da retórica nos tempos de Augusto e Tibério.

P.S.: Artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias – MA), em 29/04/2004.

 

Direitos reservados: os textos podem ser reproduzidos, desde que citados o autor e a obra. ( Código Penal, art. 184 ; Lei 9610/98, art. 5º, VII e Norma Técnica NBR 6023, da ABNT ).