Latim e Direito Constitucional

Júlio César (Caius Julius Caesar) nasceu em 12/07/100 a.C. e foi a figura mais eminente depois de Cícero. Procônsul, submeteu a Gália, acrescentando ao Estado romano os territórios hoje ocupados pela Bélgica, Alemanha (a oeste do Reno) e a França.

Disputando o poder com Pompeu, em luta de morte, atravessou em 49 a.C. o Rubicão, rio do norte da Itália, que a separava da Gália Cisalpina, entrou no seu país e marchou sobre Roma. Atingindo o poder absoluto, tornou-se ditador.

Com ajuda de um astrônomo grego, revisou o calendário, fazendo-o durar 365 dias, com um dia a mais a cada quatro anos. Esse calendário juliano, submetido a ajustes pelo papa Gregório XIII, em 1582, é usado até o presente. O mês de julho é assim uma homenagem a seu nome. 

Júlio César é um dos maiores homens lembrados na história, não só como general, mas também como orador e estadista.
Ainda hoje, no mundo ocidental, são repetidas frases suas que ficaram famosas: “Vim, vi, venci” (Veni, vidi, vici), “A sorte está lançada” (Alea iacta est), “Não temais, César está a bordo” (Aude! nolique timere: Caesatrem vehis Caesarisque fortunam), “Até tu, Bruto, meu filho?” (Tu quoque, Brute, fili mi?). Cada frase dessas é toda uma história, todo um drama em si. 

São seus os Commentarii de bello gallico, contendo a história dos primeiros sete anos de guerra gaulesa. Uma espécie de memorial. Os Commentarii de bello civili contam a narração da guerra civil entre César e Pompeu.

Cornélio Nepos (Cornelius Nepos), nascido em 94 a.C., escreveu Vitae excellentium imperatorum, biografia de capitães gregos, reis persas, Hamílcar, Aníbal, Catão e Atico.

P. Nigídio Fígulo (P. Nigidius Figulus) nasceu em 90 a.C., deixando Commentarii grammatici, sobre questões gramaticais.

Valério Catão (Valerius Cato) ocupou-se com a gramática e a poética, escrevendo Lídia, Diana e Dirae.

T. Lucrécio Caro (T. Lucretius Caro), nascido em 95 a.C., escreveu o poema didascálico De rerum natura, expondo as teorias de Epicuro sobre a natureza, a psicologia e a ética.

C. Salústio Crispo (Caius Sallustius Crispus), nascido em 87 a.C., deixou várias obras. Em De Catilinae conjuratione esforça-se para ser imparcial, mas não consegue ocultar sua simpatia por César. Em Bellum jugurthinum narra o acontecimento, mostrando a imoralidade dos optimates. Bela monografia, composta com grande diligência. As Historiae começam em 78 a.C., ano da morte de Sila, e continuaram até 67 a.C. Foi de fato o primeiro a tratar a história como gênero de arte literária. Sem adotar o estilo corrente, seguiu o modo de escrever arcaico, que caracteriza suas obras.

Q. Hélio Tubirão (Q. Helius Tubero), historiador, deixou Historiae, que se estende dos tempos mais antigos até o fim das guerras civis entre César e Pompeu. 

P. Terêncio Varrão Atacino (P. Terentius Varro Atacinus), em razão do lugar Atax, da Gália Meridional, é autor do poema De Bello Sequanico.

Entre os opositores de César, alguns conseguiram real importância literária. O mais insigne foi talvez M. Júnio Bruto (Marcus Junius Brutus), um dos assassinos do triúnviro, que obteve grande reputação pela habilidade oratória e como autor de escritos filosóficos como De virtute e De patientia.

De C. Elvio Cina (C. Helvius Cinna) é lembrado um poema épico intitulado Smyrna.

C. Licínio Calvo (C. Licinius Calvus), nascido em 82 a.C., mereceu a estima de Cícero pela facilidade na oratória. Em poesia procurou conciliar a existência da forma dos alexandrinos com a paixão e veemência de Catulo, com quem se parece em vários aspectos.

O maior lírico do período e de toda a literatura latina é Valério Catulo (Valerius Catullus). Nasceu em 87 a.C., morrendo com pouco mais de 30 anos. Amou uma mulher, chamando-a de Lésbia, cujo verdadeiro nome era Clódia, a quem dirigiu as composições mais quentes e apaixonadas, até que compreendeu que o seu ideal de amor era um ser vituperável.

Deixou 116 produções literárias, seguindo inicialmente a forma dos alexandrinos. Depois, a experiência de vida e o amor por Lésbia desenvolveram nele a genialidade do pensamento. Soube exprimir com simplicidade e espontaneidade de linguagem os sentimentos mais profundos e delicados, dando às suas líricas uma fascinação que não se encontra em outros poetas.

Estando o Estado dividido em dois campos hostis, os partidos agrediam-se com um gênero de redações políticas, em que os escritores davam livre curso às suas idéias. Daí os discursos (laudationes) nos funerais.

Um ramo especial de literatura, comparável aos nossos jornais, começou a ser cultivado em 59 a.C., quando Júlio César decretou que todas as suas deliberações (acta senatus) e aquelas tomadas pelo povo (populi acta diurna) fossem publicadas.

As primeiras continuaram a ser escritas até à idade mais avançada do Império. Os acta populi diurna eram também chamados de acta diurna, acta urbis, diurna (daí o jornal) ou simplesmente acta. 

Eram de grande utilidade para aqueles romanos que, vivendo fora da cidade, se interessavam por tudo quanto aí se fizesse. Publicadas sob direção oficial, numerosos escrivães eram encarregados de tirar cópias a serem enviadas às várias partes do Império e a serem depositadas posteriormente no arquivo (tabularium)..

P.S.: Artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias – MA), em 18/04/2004.

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