Latim e Direito Constitucional

A cultura que havia em Roma fora tirada da Grécia. Nos dois últimos séculos de história republicana, Roma sofreu a influência da civilização helenística. Os principais historiadores romanos escreveram suas obras na língua grega.

Q. Fábio Pictor (Quintus Fabius Pictor, 216 a.C.) escreveu uma história de Roma, desde Enéias até os seus dias, contendo a narração da segunda guerra púnica.

L. Cíncio Alimento (L. Cincius Alimentus, 210 a.C.) compôs em grego “os anais de Roma”. Tratou do período primitivo muito brevemente, mas foi muito minucioso em expor os acontecimentos contemporâneos.

M. Pórcio Catão (Marcius Portius Cato, 234 a.C.) foi um defensor estrênuo de tudo o que tivesse caráter de nacional na vida e na literatura romanas; foi o escritor mais fecundo do seu tempo, tornando-se o verdadeiro criador da prosa latina do segundo período. Suas obras literárias são: Orações, Orígenes, Praecepta ad Filium (escritos para a educação do filho), Facete Dicta (ditos chistosos) e De Re Rustica (sobre a agricultura).

Oradores célebres da época foram A. Fábio Máximo (Allobrogicus Fabius Maximus), Q. Cecílio Metelo (Quintus Caecilius Metellus) e Cipião Africano, o Maior (Publius Cornelius Scipio Africanus). Jurista eminente foi S. Hélio Peto (Sextus Aelius Paetus Catus), que, na Tripertita, comentou a Lei das Doze Tábuas (Lex Duodecim Tabularum).

Historiadores dignos de nota foram C. Acílio (C. Acilius), A. Postúmio Albino (Aulus Posthumius Albinus) e P. Cipião Nasico (Publius Scipio Nasica).

O sétimo século depois da fundação de Roma (150 a 80 a.C.) constituiu o terceiro período, quando a literatura latina alcançou seu completo desenvolvimento. 

Cartago destruída e a Grécia submetida, os gregos foram em grande número para Roma e contribuíram para fazer triunfar seus costumes, pensamentos e sentimentos sobre a antiga vida nacional romana. “A Grécia cativa subjugou o feroz vencedor” (Graecia capta ferum victorem cepit), disse Horácio (Epistula II 1, 156). Já desde 145 a.C. erigia-se anualmente um teatro grego completo, de madeira; o primeiro estável, de pedra, foi construído por Pompeu, em 55 a.C.

No campo da poesia predominam ainda as composições dramáticas. As outras formas poéticas ficaram quase abandonadas, mas a prosa, particularmente na história, no direito, na oratória, fez progressos extraordinários.

O terceiro período produziu muitos poetas e prosadores. T. Quíncio Ata (T. Quintius Atta) era muito apreciado por sua perícia em tratar os caracteres, principalmente os femininos.

L. Afrânio (L. Afranius, 144 a.C.), notável pelo valor artístico de suas composições, refletiu de maneira peculiar a vida da classe média.

C. Lucílio (C. Lucilius, 148 a.C.) tomou bastante interesse nos acontecimentos do seu tempo. Expressou seu pensamento sobre tudo o que via, ouvia e lia, revelando profunda educação da mente, perspicácia e agudeza de engenho, moralidade rigorosa, esmero e ordem.

Outros grandes poetas dessa idade – Pórcio Licínio (Portius Licinius), Q. Lutécio Cátulo (Q. Lutatius Catulus) etc. – são autores de epigramas eróticos, de pouco mérito.

L. Pompônio de Bolonha (L. Pomponius, 90 a.C.) adquiriu fama dando à antiga atelana uma verdadeira forma literária.
No tempo dos Gracos, de 133 a 119 a.C., a oratória teve grande oportunidade de mostrar o seu poder nas lutas de partido; exemplo disso foi Caio Graco (Gaius Gracchus).

Historiadores conhecidos da época já escreviam em latim, como Cássio Hemina (Cassius Hemina), Capúrnio Pisão Frugi (L. Capurnius Piso Frugi) e Q. Fábio Máximo Serviliano (Q. Fabius Maximus Servilianus).

Os juristas importantes do tempo foram: M. Júnio Bruto (Marcus Junius Brutus), P. Múcio Cevola (P. Mucius Scaevola) e Quinto C. P. Licínio Crasso (Quintus C. P. Licinius Crassus).

Sobre a história contemporânea escreveram C. Fânio (C. Fanius), L. Antípatre (L. Caelius Antipater), C. Semprônio Tuditano (C. Sempronius Tuditanus), Otávio Lampadião (Octavius Lampadion) e P. Rutílio Rufo (Publius Rutilius Rufus).

Os estudos gramaticais tiveram um grande cultor em L. Hélio Precocino Estilão (Lucius Aelius Stilo Preconinus).

No meio de comoções políticas, a história e o direito são representados por C. Lélio (C. Laelius), M. Antônio (Marcus Antonius) e L. Licínio Crasso (L. Licinius Crassus).

Entre os historiadores que merecem nota estão: Q. Cláudio Quadrigário (Q. Claudius Quadrigarius, 150 a.C.), Valério Anciate (Valerius Antias), L. Cornélio Sila (Lucius Cornelius Sylla) e Cornélio Sisena (Cornelius Sisenna, 119 a.C.).

Roma tendo se intelectualizado, foram instituídas escolas para o ensino da gramática, da retórica e da filosofia, principalmente a epicurista. A obra Rhetorica ad Herenium, em quatro livros, é atribuída a Q. Cornifício (Q. Cornificius).

P.S.: Artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias – MA), em 04/04/2004.

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