Latim e Direito Constitucional

Karl Marx (1818-0883) assumiu imediatamente a direção da The International Workingmen's Association (IWA), muitas vezes chamada deThe First International.  Procurou excluir os moderados de seus conselhos e denunciou os socialistas alemães, como seu líder Ferdinand Johann Gottlieb Lassal (1825-1864), por fazerem acordos com Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen (1815-1898). 

O dever dos socialistas, afirmava Marx, não era associar-se ao estado, mas sim derrubá-lo. Ao mesmo tempo, Marx combatia as doutrinas do anarquista russo Mikhail Bakunin (1814-1876), que se opunha à ideia socialista de que os males sociais eram produto do capitalismo.

Para ele, o estado era o grande vilão e Bakunin pregava sua destruição imediata através de atos isolados de terrorismo. Além disso, era contrário à centralização dentro da Internacional, preconizando, antes, uma espécie de autonomia federal para cada grupo nacional de trabalhadores.

Para Marx, essas ideias individualistas representavam nada mais que o retorno a uma espécie de rebelião primitiva, heroica, mas em última análise infrutífera. Conseguiu fazer com que Bakunin fosse banido da Internacional em 1872. A organização prosperou durante algum tempo, na década de 1860.

Em vários países, muitos sindicatos foram persuadidos a aderir a essa campanha unida que pregava a revolução e, através da aplicação de pressão, tanto nas urnas eleitorais como nas fábricas, parecia prometer ao menos maiores salários e menor jornada de trabalho.

Sob a direção de Marx, a Internacional foi um órgão altamente organizado e rigidamente controlado, muito mais eficiente do que qualquer organização socialista anterior.

No entanto, em 1876 ela deixara de existir. Apesar da capacidade de Marxcomo organizador autoritário, durante toda sua existência a Internacional teve de lutar contra as mesmas circunstâncias que haviam retardado sua fundação.

Acresce que a insistência de Marx em controle centralizado frustrava um crescente desejo, por parte de organizações socialistas separadas, de cumprir programas que lhes fossem de benefício imediato.

Esses fatores debilitaram a Internacional. O que provavelmente provocou seu desaparecimento foi ter-se associado aos acontecimentos de Paris, depois da derrota da França pela Alemanha em 1870, por ocasião da Guerra Franco-Prussiana - Der Deutsch-Französische Krieg.

Após a queda de Napoleão III, os franceses haviam criado uma nova república, de modo geral conservadora. Em março de 1871, o governo tentou desarmar a Guarda Nacional de Paris, La Garde nationale de la Révolution de 1789-1799, uma milícia voluntária com tendênciass radicais.

A guarda recusou-se à rendição, declarou sua autonomia, depôs autoridades do novo governo e proclamou um comitê revolucionário  - a Comuna, La Commune de Paris  - como verdadeiro  governo da França.

Embora esse movimento seja comumente descrito como uma rebelião de perigosos radicais empenhados na destruição da lei e da ordem, a maioria de seus membros assemelhavam-se aos jacobinos da primeira Revolução Francesa e pertenciam sobretudo à pequena classe média. 

Não defendiam a abolição da propriedade privada, mas sim sua distribuição mais ampla. O que precipitou o movimento foi a amargura suscitada pela derrota de Napoleão III e o esgotamento criado pelo longo sítio de Paris.

A esses fatores somava-se o receio de que o governo central viesse a ser dominado pela população rural, em detrimento das massas urbanas da capital. Após várias semanas de frustrante disputa, o conflito transformou-se numa sangrenta guerra civil.

Os partidários da Comuna mataram cerca de sessenta reféns, entre eles o arcebispo de Paris. As vítimas do governo chagaram à casa dos milhares. As cortes marciais fizeram executar vinte e seis pessoas. Milhares de outras receberam penas de prisão ou foram banidas para a Nova Caledônia, no Pacífico Sul. 

 
Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2014.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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