Latim e Direito Constitucional

Como explicar o sucesso alemão e, sobretudo, talvez, a incapacidade britânica de enfrentá-lo? 

A Grã-Bretanha estava em dificuldades porque tinha sido a primeira nação a industrializar-se. Devido ao capital investido em fábricas e equipamentos mais antigos, os britânico relutavam em entrar em novos campos ou explorar novos métodos.

Por exemplo, como os britânicos haviam construído fábricas para produzir álcalis por um processo mais antigo e menos eficiente, viram-se na obrigação de continuar a produzir como antes mesmo depois da descoberta do processo Solvay pelo químico belga Ernest Solvay - Rebecq-Rognon(1838-1922).

Em vez de fazer a mudança dispendiosa, os industriais britânicos tentaram tornar seu álcalis mais competitivo, reduzindo os custos e aumentando a eficiência dos trabalhadores.

Mas depois que novos aperfeiçoamentoes foram introduzidos na década de 1890, a produção britânica não conseguiu acompanhar a alemã e a americana, e na verdade diminuiu.

Os  mesmos problemas aconteceeram com o aço. Também nessa área a Grã-Bretanha foi prejudicada por seu pioneirismo. Como os britânicos tinham sido os primeiros a se industrializar, seus centros manufatureiros moldaram-se de acordo com a escala da produção do começo e em meados do século XIX.

No fim do século havia necessidade de grandes áreas de terra, perto dos meios de transporte, para a instalação das usinas siderúrgicas. Devido ao congestionamento das suas cidades industriais os briâncicos não podiam construir usinas tão grandes quanto as da Alemanha ou dos Estados Unidos.

Com isso, em 1900 as maiores siderúrgicas britânicas tinham o porte das medianas alemãs. Mesmo as novas fábricas construídas para outras finalidades industriais na Grã-Bretanha tinham apenas um terço do tamanho das construídas por sua maior rival. 

Como as usinas eram grandes e como, por conseguinte, representavam um grande investimento de capital, seus dirigentes faziam tudo quanto podiam para garantir-lhes uma operação eficiente.

Racionalizavam os projetos e padronizavam componentes a um grau que os britânicos, com suas fábricas menores, julgaam desnecessário. As firmas menores tendiam a receber encomendas menores e mais especializadas, que não estimulavam a padronização.

Embora essa padronização tenha sido realizada na Grã-Bretanha em 1914, em algumas indústrias -  sobretudo de ferro e aço -, em muitas outras continuou a ser  mais exceção do que a regra.

A dianteira industrial britânica, que congelou suas áreas urbanas e lhes deu feição obsoleta, congelou tambem as atitudes britânicas. Por terem avnçado tanto e tão depressa, os britânicos haviam-se tornado  presumidos.

Foi com relação à educação que  mais claramnente se refletiu essa atitude. Se as realizações da prmeira Revolução Industrial -   por exempo, a máquna a vapor e a spinning jenny  - haviam sido resultado do que se poderia chamaar de curiosidade criativa, as da segunda revolução eram fruto de uma estreira e frutífera união da ciência pura e da tecnologia.

O progresso dependia agora de uma força de trabalho em geral educada, de um conjunto treinado de mecânicos e de um grupo de técnicos com treinamento científico, além de um grupo de cientistas altamente treinados e criativos.

A Alemanha estava produzindo essas pessoas; a Grã-Bretanha, não. Só em 1870 foi instituído na Grã-Bretanha um sistema de educação primária pública, e só dez anos depois ele se tornou obrigatório. Na Alemanha, o ensino obrigatório vinha desde o século XVIII. 

A classe governante britânica achava que a finalidade principal da educação era o conrole social: ensinar um menino ou uma menina não apenas a ler e escrever, mas a aceitar seu lugar definido na estrutura social.

Embora a educação elementar alemã fosse também autoritária em muitos sentidos, o fato de haver começado mais cedo e de estar ligada diretamente a sistemas de educação secundária incentivava o desenvolvimento de talentos; nesse sentido, era muito menos esbanjadora do que o sistema britânico.

À medida que a Grã-Bretanha se atrasava na educação primária, atrasava-se no desenolvimento de laboratórios científicos e tecnológicos e de centros de treinamento. Na Alemanha, o estado criou uma complexa rede de instituiçõas técnicas; na Grã-Bretanha, elas quase não existiam antes da I Guerra Mundial.

 
Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2013.


N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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