Latim e Direito Constitucional

Taylor observava, cronometrava e analisava os movimentos dos trabalhadores, a fim de determinar quanto tempo era necessário para uma determinada tarefa. Depois, calculava os custos desses movimentos. Por fim, elaborava “normas”, que todos os trabalhadores deveriam cumprir. Tais normas eram invariavelmente mais elevadas do que as que haviam prevalecido segundo as condições tradicionais.

Para incentivar os trabalhadores a aceitarem esses padrões mais altos, Taylorrecomendava a todos os industriais que adotassem a numeração por tarefa (isto é, pagamento segundo a quantidade específica produzida), em vez de salários, horários ou diárias.

A remuneração por tarefa já se tornava corriqueira em muitas fábricas da Europa e dos Estados Unidos. Em teoria, ao menos, os trabalhadores não se opunham a esse método de pagamento; raciocinavam que sua única possibilidade de tirarem proveito da maior produção estava em serem pagos diretamente pelo que produzissem.

Rebelavam-se entretanto ao lhes ser dito que sua remuneração não aumentaria a menos que cumprissem normas predeterminadas (irreais em sua opinião). Argumentavam que os pagamentos eram fixados de acordo com o desempenho dos trabalhadores mais rápidos. Mesmo quando ganhavam mais por concordarem com os novos índices, ressentiam-se contra a intromissão da administração fabril no ritmo de sua vida.

Apesar dessa oposição, a administração científica propagava-se por todo o Ocidente industrializado. Na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Europa continental, principalmente nas indústrias mecânicas, fábrica após fábrica abraçava o novo evangelho.

Nos casos em que não conseguiam inteiramente introduzir “eficiência” nos processos de produção, as empresas procuravam racionalizar seus próprios procedimentos administrativos. Os departamentos de contabilidade se expandiram e foram incentivados a vigiar de perto o problema de controle de custos em todas as áreas de produção e distribuição. Tais reformas não foram mais que reflexo da busca geral de maior eficiência.

Foram causadas pelo vasto aumento da escala de produção, pela necessidade de reduzir o desperdício sempre que possível e pelo desejo de extrair lucros máximos a partir da eliminação de movimentos desnecessários e de hábitos improdutivos.

Reagindo à ampliação do âmbito de produção e às consequentes pressões no sentido de maior eficiência, as instituições do capitalismo começaram a se reorganizar em fins de o século XIX.

Até então, a maioria das firmas eram pequenas ou no máximo medianas; agora, à medida que as companhias cresciam e sua necessidade de capital aumentava, começaram a fundir-se.

As leis de responsabilidade limitada, promulgadas na maioria dos países no decorrer do século, atuavam no sentido de estimular essa incorporação.Limited Responsibility (Responsabilidade limitada) significava que um indivíduo que possuísse ações de uma determinada empresa só poderia ser considerado responsável na proporção de suas ações, no caso de falência da empresa.

Assim garantidos, muitos milhares de homens e mulheres de classe média passaram a considerar o investimento em empresas uma maneira segura e financeiramente promissora de ganhar dinheiro.

Surgiu assim uma classe de acionistas, produzida pela disposição dos governos de encorajar o capitalismo através de leis incentivadoras e pelo desejo de empresários de expandir suas atividades industriais a fim de atender à demanda crescente.

Mais e mais companhias incorporavam-se. No processo, sua direção tendia a afastar-se do controle direto da família que as havia fundado ou de suas diretorias originais. Correspondentemente, cresceu a influência de banqueiros e financistas, muitas vezes residentes em cidades muito distantes das fábricas em que investiam.

Tais homens não investiam seu próprio dinheiro, mas sim o de clientes; seu poder de estimular ou dissuadir o desenvolvimento de indústrias ou empresas estimulou uma espécie de capital “financeiro” impessoal.

A organização empresarial em grande escala facilitou a disseminação da unificação industrial. Algumas indústrias (como, por exemplo, a do aço) combinavam-se verticalmente. Para assegurar a produção ininterrupta, as companhias siderúrgicas compravam minas de carvão e de ferro. Ao assim proceder, garantiam o abastecimento de matérias-primas a preços atraentes.

Com frequência as mesmas companhias de aço adquiriam o controle de empresas fabricantes de produtos de aço, como estaleiros navais e fábricas de material ferroviário.

Agora, pois, não só dispunham de um estoque de matérias-primas mas também de um mercado para seus produtos acabados – chapas de aço, trilhos, qualquer coisa. Tal integração vertical só era possível por existir dinheiro para investimento, através das instituições financeiras.


Rio de Janeiro, 06 de outubro de 2013. 

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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