Latim e Direito Constitucional

Juntos, esses três processos de progresso (Bessemer, Siemens-Martin eGilchrist) revolucionaram a produção de aço. Embora o uso do ferro não cessasse da noite para o dia, o aço logo ganhou a dianteira.

Na indústria naval britânica, por exemplo, o aço havia suplantado o ferro em 1890. Em parte por ser o processo Siemens-Martin particularmente adequado à fabricação das chapas de aço usadas na construção naval, ele dominou a fabricação de aço na Grã-Bretanha, onde a construção naval era uma indústria de grande importância.

O aço Bessemer, que podia ser produzido a preço menor e em usinas maiores, era mais comum na Europa continental e nos Estados Unidos. O resultado foi um substancial aumento da produção de aço. Em 1914 a Alemanha estava produzindo duas vezes mais aço que a Grã-Bretanha, e os Estados Unidos o dobro da Alemanha.

Um segundo avanço tecnológico, igualmente importante, teve como consequência a disponibilidade de força elétrica para fins industriais, comerciais e domésticos. As vantagens particulares da eletricidade resultavam de poder ser transmitida, na forma de energia, a longas distâncias, e de poder ser facilmente convertida em outras formas de energia - calor e luz, por exemplo.

Embora a eletricidade já fosse conhecida desde antes da primeira Revolução Industrial, suas vantagens não poderiam ser apresentadas sem uma série de progressos ocorridos durante o século XIX.

Destes, alguns dos mais importantes foram a pilha química, inventada pelo italianoAlessandro Giuseppe Antonio Anastasio Volta (1745-1827) em 1800; a indução eletromagnética descoberta pelo inglês Michael Faraday(1791-1867) em 1831; o gerador eletromagnético, inventado em 1866; o primeiro gerador de corrente direta comercialmente prático, fabricado em 1870; e alternadores e transformadores capazes de produzir corrente alternada de alta voltagem, criados na década de 1880.

Essas invenções fizeram com que ao fim do século fosse possível transmitir corrente elétrica a distâncias relativamente longas, a partir de grandes usinas elétricas. A força elétrica podia ser produzida pela água - e por isso a baixo preço - e transmitida de sua fonte ao lugar onde era necessária.

Assim que chagava a seu destino, a força era convertida e utilizada de mil formas. Logo os domicílios se tornaram um dos principais consumidores de força elétrica.

A invenção da lâmpada de filamento incandescente, por Thomas Alva Edison (1847-1931), foi crucial em relação a esse ponto. Assim que as habitações foram preparadas para receber a força que havia de ser transformada em luz, a demanda de eletricidade resultou numa maior expansão de indústria elétrica.

Também na área industrial aumentava a demanda de força elétrica. Motores elétricos em breve passaram a movimentar metrôs, linhas de bondes e, por fim, ferrovias.

A eletricidade possibilitou o desenvolvimento de novas técnicas nas indústrias metalúrgica e química. A eletricidade, além disso, contribuiu para transformar os métodos de trabalho das fábricas.

Os pesados engenhos a vapor tinham obrigado ao uso de máquinas estacionárias; os motores elétricos fizeram com que ferramentas motrizes relativamente leves pudessem ser transportadas, muitas vezes manualmente, ao local de uma determinada tarefa. O resultado foi uma flexibilidade muito maior em termos de organização fabril. Também as oficinas menores se beneficiaram, pois podiam utilizar motores e ferramentas elétricas.

O aço e a eletricidade são apenas duas áreas importantes em que ocorreram mudanças tecnológicas. A indústria química progrediu significativamente devido a um avanço na produção de álcalis e compostos orgânicos. A demanda de álcalis havia crescido com a demanda de sabões e têxteis, e também com mudanças no processo de fabricação de papel, que exigia grandes quantidades de branqueador.

Uma técnica antiga, dispendiosa e ineficiente, muito utilizada pelos ingleses, foi superada depois de 1880 por um novo processo, aperfeiçoada pelo belgaErnest Solvay (1838-1922).

O resultado, também neste caso, foi os alemães suplantarem os britâniscos não só na produção de álcalis, como também de ácido sulfúrico, um subproduto recuperável pelo processo solvay e empregado na fabricação de fertilizantes, no refino de petróleo e na  produção de ferro, aço e téxteis.

No campo dos compostos orgânicos, o estímulo para novas descobertas foi dado pela demanda de pigmentos sintéticos. Embora os britânicos e os franceses tenham sido os pioneiros nessa área, os alemães também aqui os ultrapassaram por volta de 1900. Na virada do século, os alemães controlavam cerca de 90 por cento do mercado mundial.

A necessidade cada vez maior de energia para atender à crescente demanda industrisl levou não só aos já mencionados progressos no campo da eletricidade, mas também a aperfeiçoamentos e aumento da capacidade das máquinas a vapor.

A mais importante invenção nessa área foi a turbina a vapor, que permitiu às máquinas a vapor funcionar a velocidades até então inatingidas. Também os motores de combustão interna apareceram nesse período. Sua maior vantagem estava na eficiência; podiam ser acionadas automaticamente e não precisavam ser alimentados de combustível a mão, como as máquinas a vapor.

Assim que surgiram os combustíveis líquidos  - petróleo e gasolina - e sobretudo depois que se tornaram mais comuns, com  as descobertas de campos petrolíferos na Rússia, em Bornéu e no Texas, por volta de 1900, os motores de combustão interna passaram a competir seriamente com a máquina a vapor.

Em 1914 quase todos os navios haviam passado a usar óleo, em vez de carvão. Contudo, antes de 1914, tanto o automóvel como o avião, ainda simples curiosidades, tinham pouco impacto sobre o mundo industrial.


Rio de Janeiro, 14 de julho de 2013. 

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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