Latim e Direito Constitucional

Na Grã-Bretanha, Sir Walter Scot (1771-1832) narrou em muitos de seus romances a história popular da Escócia, como IvanhoeRob RoyThe Lady of the LakeWaverleyThe Heart of Midlothian e The Bride of Lammermoor, ao passo que o poeta William Wordsworth (1770-1850) se esforçou deliberadamente para exprimir a simplicidade e a força do povo inglês em coletâneas como suasLyrical Ballads. (Baladas líricas - 1798).

Em toda a Europa, os povos passaram a catalogar com afinco as relíquias de seu passado histórico, quer em publicações como o Monumenta Germaniae Historica (Geschichtliche Denkmale Deutschlands), fundado em 1826, quer em arquivos públicos como a English Public Records Office (1838).

Na França, o estilo neoclássico, de que são exemplos típicos as pinturas deJacques-Louis David (1748-1825), e que foi usado por Napoleão para exaltar sua imagem, deu lugar ao turbulento romantismo de pintores comoFerdinand-Victor-Eugène Delacroix (1798-1863), cujo quadro La Liberté guidant le peuple ou Scènes de barricades (1830) proclamava não só a liberdade mas também a coragem da nação francesa.

Também a música refletia temas nacionais, embora isso só tenha começado a acontecer mais ou menos uma greração depois de 1815.

Muitas das óperas de Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (1813-1901), como por exemplo Il trovatore, continham declarações musicais de fé na  possibilidade de um risorgimento italiano: uma ressurreiçao do espírito italiano.

As óperas de Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) - e sobretudo aquelas baseadas no épico germânico Der Ring des Nibelungen (O anel dos Nibelungos)  - lograram suscitar uma veneração pelos muitos dos deuses nórdicos que chegava a um nível de piedosa exaltação.

Embora fosse difícil aos arquitetos fugir inteiramente ao neoclassicismo do século XVIII, muitas vezes elas tentavam fazer ressurgir um estilo nacional em seus projetos.

Sir Charles Barry FRS (1795-1860), a quem foi atribuída a tarefa de redesenhar as Casas do Parlamento britânico, depois de terem sido destruídas por um incêndio em 1836, conseguiu esconder um risco clássico, simples e simétrico, por trás de uma fachada gótica, destinado a reconhecer a dívida do país para com seu próprio passado.

Toda essa atividade criativa era o resultado espontâneo da resposta entusiástica de artistas e escritores ao movimento romântico.

Entretanto, logo os políticos se deram conta de que o romantismo histórico poderia servir a seus objetivos nacionalistas. Entenderam que uma obra de arte individual, fosse ela uma pintura, uma peça musical, um drama ou edifício, poderia ser traduzida num símbolo nacional. E não hesitavam em ajudar nessa tradução quando julgavam necessário.

Embora o romantismo e o nacionalismo partilhassem de uma devoção comum ao passado, os românticos não eram necessariamente nacionalistas. Na verdade, o romantismo era irrestritamente internacional em sua celebração da natureza e, acima de tudo, da criatividade individual.

Afirmavam os românticos que a melhor forma de perceber a natureza não era através da razão, mas sim dos sentidos. E respeitavam aqueles elementos da natureza que pareciam produto do acaso, e não da ordem racional.

Fosse uma única flor ou toda um cordilheira, a natureza era sempre bem-vinda ao se manifestar diretamente sobre os sentidos. O homem era declarado livre para interpretar a natureza - e também a vida - em termos de suas razões individuais, e não simplesmente como se pudesse refletir um conjunto de preceitos racionais.

O poeta inglês Percy Bysshe Shelley.(1792-1822), o poeta alemão Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856), o romancista francês Victor Marie Hugo (1802-1885) e o pintor espanhol Francisco José de Goya y  Lucientes(1746-1828)  -  todos eles figuras características do movimento romântico  - expressaram em suas obras a preocupação do romantismo pelas experiências dos indivíduos, preocupação essa que transcendia fronteiras nacionais.

.A experiência humana, acreditavam os românticos, não estava ligada a qualquer tradição nacional ou Volkgeist determinados, mas sim à natureza transcendente. 

As pinturas dos ingleses William Blake (1757-1827) e Joseph Mallord William Turner RA (1775-1851), embora reflitam amiúde o que se poderia chamar de inglesismo, transcendem o nacionalismo, registrando uma comunhão com os elementos fundamentasis da natureza.


Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2012. 

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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