Latim e Direito Constitucional

Louis Jean Joseph Blanc insistia na criação de oficinas nacionais, instituições que ele havia defendido como escritor, e que deveriam ser organizadas por ofícios como cooperativas de produtores. 

Nelas, homens e mulheres seriam treinados quando ncessário, postos a trabalhar e receberiam dois francos por dia quando empregados e um estipêndio menor quando desempregados.

Em vez disso, o governo criou aquilo que chamava de oficinas, mas que equivalia a nada mais que um programa de obras públicas em Paris e sua zona adjacente, onde a situação econômica havia paroduzido enorme desemprego.

De início, não se planejava empregar mais que dez ou doze mil pessoas em toda a cidade. Mas como a taxa de desemprego chagava a 65 por cento na construção civil e 51 por cento na indústria de têxteis e vestuário, começaram a afluir trabalhadores em massa para as chamadas oficinas do governo: eram 66.000 em abril e 120.000 em junho.

Enquanto isso, Paris atráia grande número de radicais, entre escritores, organizadores e agitadores. O governo provisório havia eliminado todas as restrições à formação de clubes políticos e à disseminação de escritos políticos

Consequentemente, dentro de poucas semanas fundaram-se 170 novos jornais e mais de 200 clubes. O chefiado por Auguste Blanqui (1805-1881) afirmava ter cerca de 3.000 sócios.

Delegações que asseguravam representar os oprimidos de todos os países europeus  -  cartistas, húngaros, poloneses  - circulavam livremente pela cidade, atraindo interesse, senão adeptos devotados, e contribuindo para a tensão que estava persuadindo um número cada vez maior de membros da classe média da necessidade de medidas severas para coibir novos levantes insurrecionais.

A facção da classe média estava fortalecida em decorrência de eleições realizadas em fins de abril de 1848. O governo provisório fora pressionado pelos radicais parisienses a decretar o sufrágio masculino universal.

No entanto, no pleito elegeu-se apenas uma pequena proporção de socialistas radicais. Os maiores blocos consistiam em republicanos moderados (ou « verdadeiros ») e monarquistas; este grupo, porém, estava dividido entre os adeptos da dinastia Bourbon e os do orleanista Luís Filipe.

O caráter de modo geral conservador da recém-eleita assembleia deu força àqueles que desejavam que os socialistas fossem reprimidos.

Além disso, como era natural, convenceu os socialistas de que mais uma vez, tal como na década de 1790, uma revolução potencialmente radical havia sido traída pela tímida e egoista classe méida.

Em fins da primavera, a maioria da assembleia acreditava que o sistema de oficinas constituía tanto um insuportável ônus financeiro como uma séria ameaça à ordem social.

No final de maio, as oficinas foram fechadas para a realização de um novo cadastramento, que representava o primeiro passo para limitar seus benefícios aos que residissem em Paris havia mais de seis meses e para fazer sentar praça no exército todos  aqueles entre 18 e 25 anos de idade.

Milhares de trabalhadores perderam seus empregos custeados pelo governo e, com eles, sua melhor possibilidade de sobrevivência. Desesperados, eles e os que os defendiam mais uma vez ergueram barricadas em Paris. Entre 23 e 26 de junho defenderam-se numa batalha militar sem esperanças contra forças armadas recrutadas, em parte, entre provincianos dispostos a ajudar na repressão da classe operária urbana.

Se os rebeldes de Paris estavam lutando como membros de uma classe ameaçada ou simplesmente como homens e mulheres à beira da fome é uma questão que os historiadores continuam a debater.

Que eram levados a sério como uma ameaça revolucionária pode ser percebido pela ferocidade com que foram caçados depois de cessados os combates de rua.

Cerce da 3.000 foram mortos e outros 12.000 presos; na maioria, foram deportados para campos de trabalhos forçados na Argélia.

  
Rio de Janeiro, 22 de abril de 2012.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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