Latim e Direito Constitucional

Associação Nacional para a Proteção do Trabalho (National Association for the Protection of Labor) compreendia cerca de 150 sindicatos distintos das indústrias têxtil e mineira no norte do país; a União dos Operários Construtores (Workers Union Constructors) tinha cerca de 30.000 associados em todo o país. 

Em 1834, u grupo de artesãos londrinos fundou uma organização potencialmente muito mais radical, o Grande Sindicato Consolidado Nacional da Grã-Bretanha e da Irlanda (The Grand National Consolidated TradesUnion of Great Britainand Ireland) 

Sua liderança afirmava que só fazendo o país parar, através de uma greve geral, é que os trabalhadores poderiam obrigar a classe dominante a lhes dar uma vida digna. Nessa altura, a classe dominante percebeu que corria grave perigo e decidiu pôr fim aos sindicatos.

Seis organizadores do Grande Sindicato foram condenados por realizarem sessões de juramentos secretos (em si mesmos, os sindicatos não eram ilegais), recebendo penas de degredo (emigração forçada para colônias penais na Austrália).

A partir daí, os empregadores passaram a exigir que seus empregados assinassem um documento no qual se comprometiam a não se associarem a sindicatos; com isso, diminuíam as possibilidades de maior crescimento da organização trabalhista.

Depois da derrota do Grande Sindicato, os esforços dos reformadores democráticos radicais na Inglaterra voltaram-se para a atividade política, concentrando-se em tentativas de obrigar o governo a aceitar novas reformas políticas mediante o artifício da Carta Popular (People Letter from England).

Esse documento que foi circulado por todo o país através de comissões de cartistas, como eram chamados, e assinado por milhões de pessoas, continha seis exigências: sufrágio masculino universal; instituição do voto secreto, abolição das exigências de propriedades para participação na Câmara dos Comuns (House of Commons); eleições parlamentares anuais, pagamento de emolumentos aos membros da Câmara dos Comuns e  distritos eleitorais iguais.

O movimento cartista alternou períodos de crescimento com fases de declínio. Em outras áreas, sua força dependia das condições econômicas, e o cartismo se disseminava com o desemprego e a depressão.

Havia discussões entre seus líderes, com relação tanto aos fins como aos meios: o cartismo implicava uma reorganização da indústria ou, em vez disso, uma volta à sociedade pré-industrial? Deveriam suas metas ser alcançadas apenas através de petições ou por meios mais violentos, se necessário?

O cartista William Lovett (1800-1877), marceneiro de profissão, por exemplo, acreditava na educação individual com o mesmo ardor de qualquer membro da classe média. Defendia um sindicato de trabalhadores educados, que através dele adquiririam seu justo quinhão da crescente riqueza industrial do país.

Por outro lado, o cartista Feargus Edward O'Connor (1794-1855) tinha o apoio dos trabalhadores mais pobres e desesperados. Preconizava a rejeição da industrialização e a reinstalação dos pobres em áreas agrícolas.

Essas polaridades e desacordos com relação às metas do movimento sugerem o grau de confusão que reinava no seio do operariado, que só então começava a adquirir consciência de constituir uma força política separada.

Os acontecimentos responderam para os cartistas a maioria de suas interrogações. Em 1848, outros revolucionários em todo o continente inspiraram os líderes cartistas a planejar uma grande demonstração de força em Londres.

Convocou-se uma passeata de 500.000 trabalhadores, a fim de levar ao Parlamento uma petição com seis milhões de assinaturas, exigindo os seis pontos. Uma força especial de guardas e contingentes do exército regular foi posto sob o comando do já idoso duque de Wellington, Arthur Wellesley, 1st Duke of Wellington, (1769-1852) para resistir a essa ameaça à ordem.

Contudo, menos de 50.000 trabalhadores realizaram a marcha ao Parlamento. A chuva, a organização deficiente e a relutância por parte de muitos a lutar com os policiais bem armados puseram fim à campanha ou mesmo à causa dos cartistas.

 
Rio de Janeiro, 25 de março de 2012.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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