Latim e Direito Constitucional

O crescimento da indústria têxtil na Europa foi determinado pelas guerras napoleônicas. 

O suprimento de algodão ao continente havia sido interrompido, em virtude do  bloqueio naval imposto  pela Grã-Bretanha, tanto que a maior demanda de tecidos de lã por patrte das forças armadas fez com que a expansão ocorresse mais depressa nesta do que na primeira indústria.

Em mais ou menos 1820 a fiação mecânica de lã era prática comum no continente, mas a sua tecelagaem ainda era feita quase toda a mão.

Os centros  de produção de lã localizavam-se em Rheims e na Alsácia, na França; no território onde hoje fica a Bélgica; e, na Alemanha, na Saxônia e na Silésia.

A mecanização foi retardada por ser barata a mão de obra e por um fato importante: sendo tão grande o mercado britânico, os lucros do continente com muita frequência dependiam da manufatura de determinados artigos especiais não poduzidos na Inglaterra e, portanto, sem grande apelo comercial.

A manufatura de algodão era restringida pelos mesmos motivos. Consequentemente na França a mecanização se deu primeiro na indústria da seda e naqueles setores da indústria do algodão que produziam artigos mais requintados  - a renda, por exemplo.

Uma tradição de prestígio associada à produção de bens de luxo, e que datava de Luís XIV (Louis XIV conhecido como le Roi-Soleil  - 1638-1715), estimulava os empresários a investirem nesse ramo da indústria têxtil. Estavam dispostos a abrir mão dos mercados de massa, na esperança de que seus produtos não sofressem competição britânica.

Não obstante, a França continou a ser a maior produtora continental de artigos de algodão, seguida, também nesse caso, da Bélgica, dos territórios abertos do vale do Reno, Saxônia, Silésia e Baviera.

Na área da indústria pesada continental, a situação era muito semelhante à dos têxteis  -  progressos graduais na adoção de inovações tecnológicas contra um quadro de resistência mais geral à mudança.

Contudo, como nesse setor a mudança ocorreu mais tarde do que na Grã-Bretanha, coincidiu com um aumento de demanda de vários artigos que tinham aparecido em consequência da indústrialização e da urbanização: tubos de ferro, muito utilizados em 1830 para gás, água e esgotos; e máquinas metálicas, que substituíam então as de madeira.

Por isso,  a indústria do ferro desenvolveu-se mais depressa no continente que a do têxteis, sendo acompanhada, onde possível, por um aumento na produção de carvão.

No entanto, este era escasso; na Renânia, a lenha continuava a ser utilizada na produção de ferro. O resultado foi uma relutância por parte dos empresários em fazer grande uso da máquina a vapor, que consumia combustível demais.

Na França, ainda em 1844, máquinas hidráulicas eram muito mais usadas na produção de ferro do que máquinas a vapor. Havia ainda um outro problema a obstar o desenvolvimento da indústria pesada no centinente na primeira metade do século XIX.

A concorrência dos ingleses obrigava os produtores continentais de máqunas a disputarem com unhas  e dentes quaisquer encomendas que pudessem conseguir.

Essa necessidade de atender a uma ampla variedade de solicitações tornou difícil a tais empresas especializarem-se num único produto.

O resultado foi a falta de padronizaçaão e a ausência de produção contínua, quando a racionalização e a especialização teriam levado a um maior volume de produção.


Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2011.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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