Latim e Direito Constitucional

A necessidade de maior volume de carvão exigia a mineração de veios cada vez mais profundos. 

Thomas Newcomen (1663-1729), em 1712, havia inventado uma tosca mas eficiente máquina a vapor para bombear água das minas. Malgrado seu valor para a indústria mineira, o fato de desperdiçar combustível e energia reduziu-lhe a utilidade em outras indústrias.

Em 1763, James Watt (1736-1819), um construtor de aparelhos científicos da Universidade de Glasgow, foi encarregado de consertar um modelo da máquina de Newcomen.

Enquanto se dedicava a isso, concebeu a ideia de que ela poderia ser muito melhorada com a adição de uma câmera separada para condensar o vapor, de modo a eliminar a conveniência de resfriar o cilindro. Em 1760 patenteou sua primeira máquina com o acréscimo desse dispositivo.

Infelizmente o gênio inventivo de Watt não era igualado por sua habilidade comercial. Confessava que « preferia enfrentar um canhão carregado a acertar uma conta duvidosa ou fechar um negócio »(he would rather face a loaded cannon than settle an account or make a bargain). 

O resultado foi endividar-se ao tentar colocar suas máquinas no mercado.

Foi salvo por Matthew Boulton (1728-1809), um próspero negociante de ferrragens de Birmingham. Os dois formaram uma sociedade em que Boulton era o sócio capitalista. Em 1800 a firma já havia vendido 289 motores para fábricas e minas.

Não se deve exagerar a rapidez com que a máquina a vapor substituiu a água como principal força motriz na indústria. Em 1850 mais de um terço da energia utilizada na manufatura de lã e um oitavo da usada na indústria  de algodão ainda era produzida pela força hidráulica.

Apesar disso, é incontestável que, sem a máquina a vapor, essas e outras não se teriam expandido.
Outras empresas passaram por transformações profundas durante os cem anos da Revolução Industrial. Muitas dessas mudanças ocorreram em resposta ao crescimento da manufatura  de tecidos.

A indústria química, por exemplo, criou novos processos de tingidura e branqueamento, bem como aperfeiçoou métodos para a produção de sabão e vidros.

A manufatura de artigos aumentou de maneira geral, à medida que os lucros advindos do desenvolimento da fábrica faziam aumentar a procura de mercadorias novas e mais requintadas.

Atividades como a cerâmica e a metalurgia, além de outras, expandiram-se para atender à demanda, adotando no processo métodos que na maioria dos casos reduziam os custos e aceleravam a produção.

Para uma perfeita compreensão da natureza da Revolução Industrial na Inglaterra não se devem perder de vista dois fatores.
Por mais dramática que tenha sido, ela ocorreu num período de duas a três gerações, e com rapidez variável, segundo os diferentes ramos industriais.

Alguns homens e mulheres continuavam a trabalhar em casa, tal como seus avós. As ferramentas e os métodos do passado não foram substituídos de imediato por novos, da mesma forma como não foi da noite para o dia que as populações rurais  trocaram o campo pelas cidades.

O segundo fator é que a revolução foi realizada a partir de uma base tecnológica e teórica muito limitada. Exceto no caso da indústria química, a mudança não resultou de pesquisa científica pura. Foi produto de experimentação empírica  -  em certos casos, de pouco mais que experiências de mecânicos criativos.

Não se pode menosprezar o esforço de homens como Richard Arkwrigh(1732-1792), James Hargreaves (1720-1778), James Watt (1736-1819) e tantos outros.

Parece, no entanto, que a Inglaterra, que carecia de um sistema nacional de educação de qualquer nível, foi ainda assim capaz de realizar essa revolução.

O que aconteceu na Inglaterra foi uma revolução devido à maneira como reformulou as vidas de pessoas em todo o planeta, e não somente a dos ingleses.

Ao atender às exigências de mercados aparentemente insaciáveis, a Inglaterra fez uma revolução em todos os sentidos tão profunda e duradoura como a que ocorria simultaneamante na França.


Rio de Janeiro, 24 de julho de 2011. 


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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