Latim e Direito Constitucional

Assim que o uso dessas máquinas (lançadeira volanteroda de fiar múltipla,bastidor hidráulico e mula fiadora - flying-shuttlespinning jennywater frame e spinning mule) se generalizou, a produção caminhou a passos largos.

O algodão convinha à mula e à jenny por ser um fio mais forte que a fibra de lã, a qual não era capaz de resistir ao tratamento brutal que sofria nas rudimentares máquinas pioneiras. Além disso, o suprimento de algodão podia ser ampliado.

descaroçador de algodão (cotton gin), inventado pelo americano Eli Whitney (1765-1825) em 1792, separava as sementes da fibra, com o quê o algodão era oferecido a preço mais baixo. A invenção fez com que as plantações nos Estados Unidos, trabalhadas por escravos, continuassem lucrativas e permitiu aumentar o suprimento para atender ao acréscimo da demanda.

As primeiras máquinas eram suficientemente baratas para que os fiandeiros pudessem continuar a trabalhar em suas casas. À medida que aumentavam de tamanho, passaram a ser instaladas em oficinas ou fábricas localizadas perto de cursos de água, os quais podiam ser utilizados como fonte de força motriz.

Com o desenvolvimento de máquinas movidas a vapor, as fábricas puderam ser construídas onde mais conviesse ao empresário – frequentemente nas cidades e vilas do norte da Inglaterra.

A transição da indústria doméstica para o sistema fabril não se fez da noite para o dia. O fio de algodão continuou a ser produzido em casa, ao mesmo tempo em que era feito em fábricas.

Entretanto, o baixo custo da construção e operação de uma grande fábrica, além da eficiência obtida com o agrupamento dos trabalhadores sob o mesmo teto, fez com que fábricas de maior parte substituíssem cada vez mais as oficinas menores.

Em 1851, três quartos das pessoas ocupadas na manufatura de algodão trabalhavam em fábricas médias ou grandes.

A tecelagem, porém, continuou a ser uma indústria doméstica até que a invenção de um tear mecânico barato e prático convenceu os empresários de que poderiam poupar dinheiro, transferindo o processo das casas dos artesãos para as fábricas.

Os tecelões manuais foram, provavelmente, as mais óbvias vítimas da Revolução Industrial inglesa. A resistência que opunham a serem substituídos por máquinas fazia com que continuassem a trabalhar em troca de uma remuneração cada vez menor  – em 1830, não passava de míseros seis xelins por semana.

Esses operários eram 250.000 aproximadamente em 1815; restavam 40.000 em 1850; e somente 3.000 em 1850.

Os tecidos ingleses de algodão inundaram o mercado mundial a partir da década de 1780. Tratava-se de um pano leve, adequado aos climas da África, da Índia e das zonas mais temperadas da América do Norte.

Um pano suficientemete barato para que milhões de pessoas, que jamais haviam desfrutado o conforto de usar roupas laváveis, pudessem fazê-lo; e um pano de boa qualidade, o suficiente para levar os ricos a experimentarem musselinas e chitas, como nunca haviam feito antes.

Embora o preço dos artigos manufaturados de algodão caísse espetacularmente,  o mercado crescia tão depressa que os lucros continuavam a aumentar.

Ao contrário das mudanças verificadas na indústria têxtil, as que ocorreram na do ferro não foram bastante grandes para merecerem o título de revolucionárias. No entanto, foram da maior importância.

O abundante suprimento de carvão da Grâ-Bretanha, em conjunção com sua avançada rede de transportes, permitiu aos ingleses, a partir de meados do século XVIII, substituírem a lenha pelo carvão no aquecimento do metal líquido.

Uma série de descobertas possibilitou economia de combustível, além da melhoria da qualidade do ferro e a produção de uma maior diversidade de artigos de ferro.

A procura cresceu bastante durante os anos de guerra no final do século. Permaneceu alta em decorrência das necessidades de máquinas fabris, implementos agrícolas e ferragens; e cresceu sensacionalmente com o advento das estradas de ferro nas décadas de 1830 e 1840.

Em 1814 a Grã-Breanha exportava 571.000 toneladas de ferro; em 1852 exportou 1.036.000 toneladas, de uma produção total de quase 2.000.000  - uma quantidade de ferro maior que a produzida pelo resto do mundo.


Rio de Janeiro, 10 de julho de 2011. 


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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