Latim e Direito Constitucional

A prosperidade da Inglaterra no século XVIII baseava-se num mercado em expansão para todos os produtos que manufaturava. 

As pequenas dimensões do país e o fato de ser insular estimulavam o desenvolvimento de um mercado interno em escala nacional.

A inexistênda de um sistema de direitos e tarifas internas, como o que havia no continente, significava que as mercadorias poderiam ser transferidas livremente para o lugar onde alcançassem o melhor preço.

Essa liberdade de movimento era ajudada por um sistema de transportes em constante aperfeiçoamento.

Nos anos que  antecederam a revolução industrial, o Parlamento aprovou uma média de 40 leis por ano para financiamento de estradas; durante o mesmo período assistiu-se à construção de canais e à abertura de portos e vias navegáveis.

Ao contrário do governo da França, cujas embaraçosas políticas mercantilistas com frequência obstavam o progresso econômico, o Parlamento inglês acreditava que a melhor maneira de ajudar os negociantes seria contribuir para que eles ajudassem a si mesmos.

Os membros do Parlamento tinham todos os motivos para promover o sucesso econõmico da Inglaterra. Alguns eram negociantes, eles próprios; outros havuam feito grandes investimenttos no comércio.

Daí provinha a ânsia que demonstravam em incentivar oficialmente a construção de canais, a criação de bancos e o cercamento de campos comuns. E também daí a sua insistência durante todo o século XVIII, em que a política exterior correspondesse às suas necessidades comerciais.

Ao final de toda a guerra importante do século, a Inglaterra despojava seus inimigos de territórios ultramarinos. Ao mesmo tempo, estava penetrando em portos e espaços até então inexplorados, na Índia e na América do Sul, em busca de novos mercados e recursos potenciais.

Os ingleses possuíam um marinha mercante capaz de transportar mercadorias a todos os recantos do mundo, bem como uma frota naval experimentada na arte de proteger suas frotas comerciais.

O triunfo inglês constituiu um marco na sua luta pelo domínio dos mares (The Empire on which the sun never sets). A riqueza da expansão comercial aumentou seu prestígio político e social. A vitória na luta pelas colônias proporcionou à Inglaterra uma abundância de matérias-primas, que lhe permitiu colocar-se à testa da Revolução Industrial 

Londres, já então importante centro do comércio mundial, servia como empório para a transferência de matérias-primas, capital e produtos manufaturados.

Em 1780, os mercados da Inglaterra, juntamente com sua frota e sua posição firmada como centro do comércio mundial, combinaram-se para produzir um potencial de expansão capaz de determinar a eclosão da Revolução Industrial.

Os empresários e técnicos ingleses responderam com alterações revolucionárias na produção de tecidos de algodão.

Ainda que no século XVIII a Inglaterra produzisse muito menos artigos de algodão do que de lã, o volume em que eram manufaturados em 1760 bastava para dar à indústria de algodão uma categoria superior à de incipiente.

Tarifas que tornavam proibitivas as importações de tecidos de algodão das Índias Orientais e que haviam sido  impostas pelo Parlamento para estimular a venda de artigos de lã, serviram na verdade para dar incentivo à produção interna de roupas de algodão.

Assim, ao ocorrer finalmente a revolução, ela se deu numa indústria já firmada. Entretanto, sem a invenção de algum tipo de  maquinaria que melhoraase a qualidade do fio de algodão retorcido, não teria acontecido o avanço necessário.

A invenção da lançadeira volante (flying-shuttle), patenteada por John Kay(1704-1733), que acelerou enormemente o processo de tecelagem, só tornou mais gritante o gargalo no processo de fiação.

O problema foi resolvido pela invenção de uma série de mecanismos relativamente simples, dos quais o mais importante foi a spinning jenny, inventada em 1760 pelo carpinteiro e tecelão James Hargreaves (1720-1778).

spinnng jenny, assim chamado em homenagem à esposa do inventor, cujo nome era Jenny, era uma roda de fiar múltipla, capaz de produzir 16 fios ao mesmo tempo.

Contudo os fios que produzia não eram bastante fortes para ser utilizados como fibras longitudinais, ou urdimento, do fio de algodão.

Só com a invenção, em 1769, do bastidor hidráulico (spinning frame, mais tarde renomeado como water frame) de Richard Arkwrigh (1732-1792), um barbeiro, é que se tornou possível a produção intensiva das tramas longitudinais e latitudinais.

Essa invenção, juntamente com a da mula fiadora (spinning mule), concebida em  1779 por Samuel Crompton (1753-1827), e que combinava as características da spinning jeenny com as do water frame, é que solucionou os poblemas que até então haviam restringido a produção de panos de algodão.

Esses mecanismos aumentaram enormemente a vantagem mecânica sobre a roda de fiar.

jenny era capaz de produzir de 6 a 24 vezes mais fios do que a roca; no fim do século, a mula produzia de 200 a 300 vezes essa quantidade. Além disso, a qualidade do fio melhorara, não só em termos de resistência, mas também de finura.


Rio de Janeiro, 03 de julho de 2011. 


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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