Latim e Direito Constitucional

Andrew Ure (1778-1857), in A filosoia das  manufaturas (The philosophy of manufactures or an Exposition of the Scientific, Moral and Commercial Economy of the Factory System of Great Britani (London: Chas. Knight 1835), escreveu : «A providência atribiuiu ao homema função gloriosa de aprimorar de maneira imensa as produções da natureza mediante uma cultura judiciosa, de transformá-la em objetos de conforto e elegância com o menor dispêndio possível de trabalho humano  - uma atitude que, inegavelmente, constitui o fundamento de nosso sistema fabril».

Desenrolando-se durante um século, a partidr de 1780, a Revolução Industrial  testemunhou a primeira conversão de uma economia rural e artesanal numa economia dominada pela manufatura urbana e de propulsão mecânica.

Em meados do século XVIII a Europa ainda era um  continente predominantemente agrícola. A maior parte de seu povo continuava analfabeta e as pessoas estavam destinadas a levar uma existência miserável, junto do lugar onde haviam nascido.

Diante disso, a Europa poderia parecer subdesenvolvida a nossos olhos.

Mas não era nada disso, pois os negociantes e mercadores europeus eram vistos como os principais manufaturadores e empresários do mundo. Os governantes confiavam que essa classe de homens lhes proporcionaria os meios para manter a economia de seus Estados, tanto em termos de florescente atividade comercial como de triunfantes exércitos e esquadras.

Por outro lado, a maior parte desses homens havia feito com que os governantes entendessem que suas riquezas, investidas em terras, em comércio ou em ambas as coisas, eram deles e de mais ninguém.

Esse entendimento, substanciado pelos contratos escritos que estavam substituindo os costumes tácitos e reconhecidos imemorialmete, ajudava a persuadir os mercadores, os banqueiros, os comerciantes e os empreendedores de que viviam num mundo racional, estável e previsível.

Acreditando ser o mundo assim, moviam-se nele com confiança e com esperança de prosperar.

Somente na Europa se podiam encontrar, no século XVIII, esses pressupostos e essa classe de homens; só através das atividades de tal categoria é que a Revolução Industrial poderia ter acontecido.

Esses capitalistas não poderiam ter prosperado na falta de um mercado em expansão para seus produtos. A existência desses comércios ajuda a explicar por que a Revolução Inustrial teve lugar na Europa.

Desde o começo do século XVII, a exploração comercial ultramarina tinha estado a abrir novos territórios às transações comerciais europeias. A Índia, a África,  a América do Norte e do Sul haviam sido integradas ao esquema da sua expansão eonômica.

As colônias e as dependências comerciais ganhavam feição econômica à vontade da Europa. Nem mesmo os Estados Unidos, recém-independentes, tinham sido capazes de declarar sua autonomia econômica.

Quaisquer que fossem os novos planos formulados pela Europa, todos seriam obrigados a acomodar-se às suas exigências.

Outro fator que contribuiu para que a revolução ocorresse na Europa foi o contínuo  crescimento de sua população. Na Inglaterra, ela cresceu de uns 4 milhões de habitantes em 1600 para cerca de 6 milhões em 1700 e 9 milhões em 1800. A francesa passou de 17  em 1700 para 26 milhões um século depois.

O crescimento demográfico em tal escala proporcionou, tanto quanto a propagação ultramarina, um mercado sempre crescente para bens manufaturados. Fornecia, ademais, uma reserva adequada  - e mais tarde um excedente  - de homens, mulheres e crianças para trabalharem na manufatura desses bens, em casa ou nas fábricas.

Esses elementos  - uma florescente classe comercial, mercados crescentes e aumento populacional  - ajudam a explicar por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa setecentista.

Infelizmente eles não nos dizerm muito a respeito de suas origens. Essa, a razão por que, para compreendê-la, é necessário transferir nossa atenção da Europa como um todo para o seu Estado mais próspero, a Inglaterra.

Rio de Janeiro, 19 de junho de 2011. 

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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