Latim e Direito Constitucional

Sem dúvida Rubensvan Dyck e Velásquez foram expoentes da influência clássica. Houve outros, porém, que não se deixaram agrilhoar pelas convenções artísticas dominantes.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) foi o  mais notável dentre eles e hoje é aclamado como um dos maiores pintores de todos os tempos. Sob a orientação de uma série de mestres de sua pátria, aprendeu a técnica do colorido sutil e da representação hábil dos fenômenos naturais.

Sobrepujou todos os demais colegas da escola holandesa e merece ser equiparado aos grandes membros da alta Renascença italiana, como Ticiano Vecellio ou Vecelli  e Leonardo di ser Piero da Vinci. 

Afastou-se dos temas da mitologia clássica, preferindo pintar rabinos solenes, mendigos esfarrapados e cenas do Velho e do Novo Testamenteo, ricas de dramaticidade e de interesse humano. Entre elas contam-se O bom samaritanoA mulher adúlteraAs bodas de Sansão e A ronda noturna.

Semelhantes às das artes visuais foram as tendências da história da literatura dos séculos 17 e 18.

O ideal literário era o classicismo, que significava não só a imitação deliberada das formas clássicas mas também uma ardente devoção pela razão como filosofia de vida.

Seu principal centro foi a França. O mais célebre nome do grupo francês de poetas e dramaturgos foi Jean-Baptiste Poquelin  (1622-1673), mais conhecido pelo seu pseudônimo de Molière.

Menos respeitador do formalismo antigo que seus companheiros, foi o mais original dos comediógrafos franceses. Poucos críticos da natureza humana foram mais penetrantes que ele. “A missão da comédia”, disse ele certa vez, “é representar em geral todos os defeitos dos homens e, em particular, os dos homens de nosso tempo” .

A fraqueza humana que ele mais gostava de ridiculaizar era a pretensão, como fez com tanto brilho em peças como Tartufo (Le Tartuffe).

No entanto, com toda a sua propensão para a sátira, Molière sentia certa piedade diante dos infortúnios humanos. Em algumas de suas peças a simpatia e até a melancolia dão as mãos à  finura de espírito e ao sarcasmo arrogante. Seu gênio tinha, talvez, amplidão maior que o de qualquer outro dramatuurgo desde William Shakespeare .

Dois teatrólogos franceses, cujos trabalhos refletiram mais diretamente a tradição clássica foram Pierre Corneille, mais conhecido por Corneille(1606-1684) e  Jean Baptiste Racine (1639-1699). Ambos utilizaram como temas os heróis e heroínas da literatura e da história antigas – Medeia,Pompeu e Fedra, por exemplo. Ambos escolheram como modelos literários os poetas e dramaturgos da Grécia e Roma clássicas.

A Inglaterra seiscentista também produziu escritores no estilo clássico.

John Milton (1608-1674) foi o maior deles. Principal filósofo da Commonwealth de Cromwell, Milton escreveu a defesa oficial da decapitação de Carlos I.

Quase todas as suas obrar adotam a fraseologia rica e majestosa da tradição clássica, enquanto  muitos de seus trabalhos menores versam sobre temas da mitologia grega.

Puritano e classicista, Milton nunca pôde desfazer-se da ideia de que a essência da beleza é a moralidade.

Sua obra maior, Paradise Lost, é uma síntese das crenças religiosas da época em que viveu, uma epopeia majestosa da fé protestante.

Os principais temas de Paradise Lost são a responsabilidade moral do indivíduo e a importância do conhecimento como instrumento de virtude. O paraíso é repetidamente perdido na vida humana, à medida que homens e mulheres permitem à paixão triunfar sobre a razão, determinando o rumo de suas ações.

A literatura inglesa atingiu o zênite no século 18 com a poesia de Alexander Pope (1688-1704), grande expoente em verso das doutrinas mecanicistas e deístas do iluminismo.

Nos seus trabalhos poéticos como An Essay on Man e An Essay on Criticism, expõe a opinião de que a natureza é governada por leis inflexíveis e de que homens e mulheres devem estudar e seguir a natureza, se quiserem introduzir um pouco de ordem em assuntos humanos.

Outros escritores ingleses descreveram, denunciaram e louvaram a sociedade de sua época. Jonathan Swift (1667-1745), Daniel Defoe (16600-1737) e Henry Fielding (1707-1734) usaram como tema a natureza humana como ela se manifesta na vida de seus contemporâneos.

Em Gulliver's Travels, Swift ridicularizava as pretensões humanas e as realidades políticas de sua época, contrastando-as com as concepções de uma série de raças míticas.

Em Robinson Crusoe, narrativa da sobrevivência de um homem numa ilha deserta, Defoe exaltou o engenho prático e defendeu a subjugação dos povos indígenas pelos europeus.

Em.The History of Tom Jones, a Foundling, Fielding declarou que os homens e as mulheres, para serem representados corretamente, devem ser descritos não como heróis e heroínas de uma virtude impossível, mas simplesmente como pessoas verdadeiras, responsáveis por suas ações.

Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2011.

 
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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola

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