Latim e Direito Constitucional

A história da arte e da literatura europeias nos séculos 17 e 18 reflete o respeito pele mundo clássico, com característica particular do iluminismo.

Artistas e escultores reforçavam-se por imitar esses modelos. Escolhiam títulos e temas da cultura da antiguidade greco-romana para suas obras e as embelezavam com alusões à mitologia antiga.

Deploravam a destruição da civilização de outrora pelos “bárbaros cristãos” e não conseguiam ver grande valor nas realizações culturais dos séculos posteriores. Desprezavam o que chamavam de Idade Média, longa noite de ignorância e barbarismo que se estendia entre o período dos gregos e romanos e aquele em que eles viviam.

Concordavam com Rousseau, segundo o qual as catedrais góticas “eram uma vergonha para os que tiveram a paciência de construí-las”.

Tais atitudes eram herança dos humanistas da Renascença. Mas o classicismo dos séculos 17 e 18 emergiu, em novas formas, como o estilo barroco, desenvolvido originariamente como parte da contrarreforma católica de fins do século 16.

Os templos eram edificados de modo a inspirar reverência e respeito renovados pela Igreja de Roma. Elementos clássicos como colunas, cúpulas e representações escultóricas eram combinados de maneira a expressar tanto uma inquietude agressiva quanto um extraordinário poder.

Os resultados são visíveis numa estrutura como as colunatas de Gian Lorenzo Bernini(também chamado de Gianlorenzo ou Giovanni Lorenzo -- 1598-1680) na basílica de São Pedro em Roma. Sir Christopher Wren (1632-1723) empregou o mesmo estilo em seu projeto da catedral de São Paulo na protestante Londres. Era um discurso arquitetônico cuja grandeza desafia a autoridade reivindicada pelo catolicismo romano.

O estilo barroco foi logo adotado pelos monarcas absolutistas da Europa seiscentista para simbolizar-lhes o poder e a magnificência.

O palácio de Luís 14 em Versalhes (Versailles) constitui o exemplo supremo da arquitetura barroca secular. Edifícios e parques representam uma notável expressão da formalidade e hierarquia do estado autocrático, bem como do poder investido na pessoa do monarca.

Outros governantes encomendaram residências régias no estilo de Versalhes. Pedro, o Grande, por exemplo, fez construir o Peterhof (Corte/Jardim de Pedro) em sua capital, São Petersburgo. O rei Guilherme da Inglaterra contratou Wren para embelezar o já existenteHamptonCourt Palace. Mas nenhuma dessas estruturas podia rivalizar com Versalhes, quer em sua grandeza, quer em sua total devoção à harmonia e à proporção que caracterizavam o estilo barroco.

No decorrer do século 18 o estilo barroco aos poucos cedeu lugar a novas adaptações do estilo clássico. Na Europa continental foi suplantado pelo rococó, termo que talvez derive das palavras francesas para rocha e concha (rocaille e coquille), duas formas naturais empregadas com frequência na ornamentação rococó, tanto externa como interna.

O rococó era mais leve, menos majestoso; criava uma impressão de graça e refinamento.

Em vez de lutar pelo poder dinástico e por impérios coloniais, grande parte da sociedade europeia concentrava sua atenção no diletantismo e na elegância da corte de Luís 15, que fixava o padrão para o comportamento entre as classes dominantes do continente. O rococó representou e refletiu essa mudança de foco. Exemplo são o Petit Trianon que havia sido projetado como residência de lazer do rei e o Schloss Sanssouci, em Potsdam, construído por Frederico, o Grande.

Na Inglaterra a reação ao barroco assumiu a forma do retorno ao classicismo mais severo da Renascença, adaptado dos riscos do arquiteto italiano Andrea Palladio, pseudônimo Andrea di Pietro (1508-1580) e do seiscentista inglêsInigo Jones (1573-1652), no que refletiam o culto geral do iluminismo à razão e à ordem.

A evolução da pintura acompanhou de certo modo a arquitetura. Seus nomes são Peter Paul Rubens (1577-1640), Antoon van Dyck (1599-1641) e Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660).

Rubens foi o gênio sem par. Nas suas obras As parcas fiando e Vênus e Adônis combinou temas clássicos com a cor suntuosa e a opulência tão do agrado dos ricos burgueses e nobres de seu tempo.

Os retratos de van Dyck são os dos reis ingleses Jaime I e Carlos I e de suas famílias.

Velázquez foi o pintor da corte de Filipe IV da Espanha. Grande parte de sua obra consiste em representações de cabeças reais, banhadas por uma luz suave e prateada, mas vazias de significado ou de expressão emocional. Testemunho, talvez, do poder declinante do império espanhol.

Rio de Janeiro, 09 de janeiro de 2011.


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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