Latim e Direito Constitucional

Os ingleses e franceses não tardaram a seguir o exemplo espanhol. 

As viagens de Giovanni Caboto (1450-1498) e de seus filho Sebastiano Caboto (1484-1557), em 1497/98, constituíram a base da pretensão inglesa à América do Norte. Mas um império britânico no Novo Mundo só começou a existir com a colonização da Virgínia em 1607.

No começo do século 17, o explorador francês Jacques Cartier (1491-1557) subiu o rio São Francisco, dando assim à sua pátria um semblante de direito ao leste do Canadá.

Cem anos depois, as explorações de Louis Jolliet (1645-1700), René Robert Cavelier de La Salle (1643-1687) e do padre jesuíta Jacques Marquette(1637-1675) permitiram que os franceses se estabelecessem no vale do Mississipi e na região dos Grandes Lagos.

Após vencerem a sua guerra de independência, no começo do século 17, os holandeses também participaram da luta pela obtenção de um império colonial A viagem de Henrique Hudson, remontando o rio que tem o seu nome, conduziu à formação da Nova Holanda, em 1623. Cerca de quarenta anos depois, foram forçados a entregá-la à Inglaterra. Suas possessões mais valiosas eram Malaca, as Molucas e os portos da índia e da África.

Incalculáveis foram os resultados dessas viagens de descobrimento e a fundação de impérios coloniais. Expandiram o comércio, tirando-o dos estreitos limites do Mediterrâneo e dando-lhe proporções de um empreendimento mundial.

Os navios das grandes potências marítimas singravam os sete mares. O pequeno e sólido monopólio do comércio com o Oriente, mantido pelas cidades italianas, foi gravemente prejudicado.

Gênova e Veneza mergulharam aos poucos numa relativa obscuridade, ao passo que os portos de Lisboa, Bordéus, Liverpool, Bristol e Amsterdam se viam congestionados de navios. Nos armazéns de seus comerciantes acumulavam-se mercadorias.

Além disso, houve um tremendo aumento no volume do comércio e na variedade dos artigos de consumo. Às especiarias e tecidos do Oriente haviam-se juntado o fumo da América do Norte; o melado e o rum das Índias Ocidentais; o cacau e o chocolate, a quina e a cochonilha da América do Sul; o marfim, os escravos e as penas de avestruz da África.

Além desses artigos, aumentou enormemente o suprimento de outros produtos já conhecidos. O café, o açúcar, o arroz e o algodão passaram a ser importados em tais quantidades do Hemisfério Ocidental, que deixaram de ser mercadorias de luxo.

Outra consequência foi a expansão do suprimento de metais preciosos. Quando Colombo chegou à América, a quantidade de ouro e de prata existentes na Europa mal era suficiente para sustentar uma economia dinâmica.

Passaram-se cinquenta anos para que se fizesse sentir todo o impacto da riqueza da América. Durante algum tempo o ouro foi o metal mais abundante, e era relativamente mais barato em relação à prata.

Por volta de 1540 essa relação inverteu-se. As enormes importações de prata, provenientes das minas do México, da Bolívia e do Peru, produziram tal depreciação no valor da prata que se tornou necessário entesourar certas quantidades de ouro para transações de crucial importância.

Daí em diante, durante cerca de oitenta anos, a economia europeia baseou-se na prata. O resultado foi uma tremenda inflação.

Os preços e salários elevaram-se a alturas fantásticas, numa prosperidade que pode ser vista como artificial. Esse fenômeno, no entanto, não afetou igualmente todas as partes da Europa.

A mineração de prata na Alemanha foi arruinada pela enxurrada de prata oriunda da América. Assim, a posição da Alemanha declinou, enquanto a Inglaterra e os Países baixos ascendiam a uma situação de proeminência.

Durante um breve período a Espanha partilhou dessa protuberância, mas estava pouco aparelhada para conservá-la. O desenvolvimento industrial da Espanha era demasiado débil para atender a demanda de produtos manufaturados por parte dos colonizadores europeus no Hemisfério Ocidental. Por conseguinte, estes recorriam ao norte da Europa para suprirem-se de tecidos, cutelaria e produtos semelhantes de que tinham necessidade urgente.

Ao fim do século 16 a economia espanhola, que a princípio parecia beneficiar-se enormemente dos descobrimentos, estava quase inteiramente arruinada.

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2010. 


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero ccidentale dalle origini ad oggi. 8.

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