Latim e Direito Constitucional

Durante o século 16 e começo do 17 lograram-se algumas realizações de extraordinária importância na história da ciência, apesar de não terem sido obra do humanismo.

Uma delas foi o renome do neoplatonismo. Ele ajudou os pensadores centíficos a reformalarem conceitos mais antigos, que haviam obstado o progresso da ciência medieval.

Outra tendência foi a crescente popularidade de uma interpretação mecanicista do universo, devido à publicação em 1547 das obras do grande matemático e físico grego Arquimedes (287 a.C – 212 a. C)., o qual ensinava que o universo funciona como uma grande máquina.

Outro fato foi o abandono da separação entre os campos da teoria e da prática, cuja integração se verificou a partir do século 15. Foi assim que artistas da Renascença investigavam as leis da perspectiva e da ótica, elaboravam métodos para a sustentação do peso de enormes cúpulas arquitetônicas e estudavam as dimensões e pormenores do corpo humano.

Copérnico, Kleper e Galileu formularam e comprovaram a teoria de que a terra gira em torno do sol. 

Mikołaj Kopernik  - Nicolaus Copernicus Torinensis -- 1473-1543), inspirado pelos pressupostos neoplatônicos de que a esfera é a forma mais perfeita, de que o movimento é mais  divino do que o repouso e de que o sol paira “entronizado” no meio do universo “governando seus filhos, os planetasque giram em torno dele”, elaborou uma nova teoria heliocêntrica.

Em sua obra De revolutionibus orbium coelestium (On the Revolutions of the Celestial Spheres), defendeu a concepção de que a terra e os demais planetas giravam em torno do sol em círculos concêntricos, contrariando a passagem bíblica, em que Josué mandou o sol parar (Js 10, 13).

Para Friedrich Johannes Kepler (1571-1634) Deus criara o universo com base em leis matemáticas. A sua “primeira lei” dizia que a velocidade dos planetas varia de acordo com a sua distância em relação ao sol. Na sua “segunda lei” a terra e os outros planetas percorrem órbitas elípticas.

Galileo Galilei (1564-1642), com um telescópio fabricado por ele próprio, descobriu as luas de Júpiter, os anéis de Saturno e as manchas do sol, determinou que a via-láctea é um conjunto de corpos celestes independentes de nosso sistema solar e formou algumas noções sobre a imensa distância das estrelas fixas.  

Essa revolução copernicana virou de cabaça para baixo a filosofia medieval e preparou o caminho para as opiniões modernas de mecanicismo, ceticismo e infinitude do tempo e do espaço.

As contribuições de Leonardo di ser Piero da Vinci  à ciência lhe deram direito a considerável fama. Sua conclusão de que “todo o peso tende a cair em direção ao centro através do caminho mais curto” continha o cerne da lei da gravitação. Além disso, elaborou os princípios da invenção de barco submersível, máquina a vapor, tanque blindado e um helicóptero.

Galileu ganhou reputação devido à sua lei dos corpos em queda. Ensinava que todos os corpos têm peso e que no vácuo todos os objetos cairiam com a mesma velocidade.

Expressiva também foram as realizações italianas ligadas à medicina, como a circulação do sangue, as válvulas cardíacas, a artéria pulmonar e a aorta.André Vésale  (Andreas Vesalius -- 1514-1564), considerado como o pai da anatomia moderna, publicou a primeira descrição cuidadosa do corpo humano baseado em investigação real.

Philippus Theophrastus Aureolus Bombastus von Hohenheim, conhecido como  Paracelse  (1493-1547) defendia a alquimia e a astrologia. Baseava seu conhecimento das doenças e de suas curas na observação. Viajava muito, estudando casos de enfermidade em ambientes diferentes e experimentando várias drogas. Influenciou diretamente importantes realizações modernas na farmacologia e na terapia.

Miguel Servet, também chamado de Miguel de VillanuevaMichel de Villeneuve ou Michael Servetus (1511-1553) descobriu a circulação sanguínea secundária ou pulmonar. Descreveu como o sangue sai das ventrículas do lado direito do coração e dalí corre para todas as partes do corpo.

William Harvey (1578-1657), em sua dissertação sobre o movimento do coração, Exercitatio Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus(An Anatomical Exercise on the Motion of the Heart and Blood in Living Beings), descreveu como uma artéria obstruída por uma ligadura se encheria de sangue na porção mais próxima ao coração, ao passo que o segmento afastado desse órgão se esvaziaria e como exatamente o inverso aconteceria se a ligadura fosse colocada numa veia. Concluiu que o sangue passa por um constante processo de circulação.

Esses anatomistas e médicos literalmente desmontavam o homem e descobriam suas forças motoras. 

Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2010.

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