Latim e Direito Constitucional

Nos séculos 15 e 16 a música constituiu com a pintura e a escultura um dos aspectos mais brilhantes da atividade renascentista.

Ela floresceu como fruto de uma evolução independente, que já vinha fazendo progressos desde a cristandade medieval.

Homens experimentados a serviço da Igreja ocupavam a vanguarda, mas o valor da música secular já era então apreciado e seus princípios foram combinados com os da música sacra, com decisiva vantagem para o colorido e o interesse emocional.

A distinção entre a música sacra e a profana tornou-se menos nítida. A maioria dos compositores não restringiu sua produção a apenas um desses campos. Assim, ela deixou de ser considerada como simples diversão ou como mero auxiliar do culto, e passou a ser vista como uma arte independente.

Durante o século 16 floresceu na Itália e na Florença um movimento musical pré-renascentista ou do início da Renascença denominada Ars Nova (arte nova), com Francesco Landini ou Landino  (1325-1697) e Guillaume de Machaut (1300-1377).

Os madrigais, as baladas e outras canções atestam a existência de uma rica arte secular, mas a realização suprema do período foi um estilo contrapontístico de grande complexidade, mas delicado, adaptado para motetos e canções.

O século 15 produziu uma extraordinária escola de música, inspirada pelaLaCathédrale Notre-Dame de Grâce de Cambrai e pela corte ducal deDijon. Era música suave, melodiosa e eufônica. Seus compositores franco-flamengos são encontrados nas cortes e nas catedrais importantes de toda a Europa.

Na segunda metade do século 16 os corifeus do estilo nacionalizado franco-flamengo eram: o italiano Giovanni Pierluigi da Palestrina  (1525-1594) que, em virtude de sua posição como compositor papal e de sua devoção a um estilo vocal sutil e cristalino, se tornou o símbolo venerado da música eclesiástica. Orlande de Lassus também Orlandus Lassus, Orlando di Lasso, Roland de Lassus ou Roland Delattre)  (1532-1594), foi o mais vesátil compositor da época e Tomás Luis de Victoria  (1540-1611), o fulgurante místico da música espanhola.

Na Inglaterra, os Tudors (The Tudor dynasty ou House of Tudor) patrocinavam ativamente as artes. Vários deles eram instrumentistas exímios. Inevitável que o predominante estilo franco-flamengo chegasse à Inglaterra, onde se sobrepõe a uma antiga e rica cultura musical.

O madrigal italiano, importado em fins do século 16, teve um notável reflorescimento na Inglaterra, mas canções e música instrumental de cunho original anteciparam os famosos caminhos da música no continente.

Com William Byrd (1543-1623) a música inglesa produziu um mestre em nada inferior aos grandes compositores flamengos, romanos e espanhóis da Renascença.

O nível geral de proficiência musical parece ter sido maior nos dias da rainha Elizabeth I ou Elizabeth of England. Os cantos em diversas vozes eram um passatempo popular em lares e em reuniões sociais informais. Houve a expectativa de que as pessoas bem-educadas lessem músicas à primeira vista.

Enquanto amadurecia o contraponto, nasceu o nosso moderno sistema harmônico, abrindo-se caminho para novas experimentações.

A música da Renascença constitui uma realização magnífica em si mesma, com mestres que se colocam entre os maiores de todos os tempos.

Palestrina e Lassus são representantes tão dignos do trinfo artístico da Renascença quanto os pintores Raffaello Sanzio e Michelangelo Buonarroti.
A herança que deixaram voltou a ser apreciada há alguns anos e está agora ganhando popularidade, graças à dedicação de grupos interessados em música, que trabalham para a sua revivescência.

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2010.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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