Latim e Direito Constitucional

tolerãncia era o segundo elemento da cosmovisão de Michel de Montaigne.

Não podia ver diferença real entre a moral dos cristãos e a dos infiéis. Observava que todas as seitas atacam as demais com a mesma ferocidade.. Tampouco via qualquer valor em cruzadas ou em revoluções que se propussessem destruir um sistema para estabelecer outro.

Para ele todas as instituições humanas eram quase tão fúteis umas como as outras. Parecia-lhe loucura os homens as tomarem tão a sério, que se empenhassem em guerras para substituir esta por aquela. Assim afirmava que nenhum ideal vale a queima de nosso póximo.

Em ética, não era um defensor tão grosseiro da carnalidade quanto Rabelais, muito embora não tivesse qualquer simpatia pelo ascetismo. Achava risível que o homem tentasse negar sua natureza física e pretendesse desvalorizar tudo quanto se relacionase com os sentidos.

Mesmo com sua atitude basicamente negativa, ele fez mais bem ao mundo do que muitos de seus contemporâneos, que fundaram novas fés ou inventaram novas desculpas, para que monarcas absolutos escravizassem os súditos.

O ridículo de que cobriu a caça  às bruxas ajudou a apagar as chamas dessa histeria cruel. Igualmente a influência de seus ensinamentoe céticos teve efeito no combate ao fanatismo em geral e na preparação do caminho para uma tolerância mais ampla no futuro.

Infelizmene os feitos dos artistas franceses durante a época renascentista tiveram importância relativamente menor. Houve algum progresso na escultura e um avanço modesto na arquitetura.

Nessa época, mais ou menos em 1692, construiu-se o Louvre (Le musée du Louvre). Numerosos castelos edificados por todo o país representaram uma tentativa que combinou a graça e a elegância do estilo italiano com a solidez do castelo medieval.

Por outro lado, a Espanha refulgiu no auge de sua glória durante o século 16 e início do 17. Suas conquistas no hemisfério ocidental proporcionaram riquezas aos nobres e mercadores espanhóis e lhe deram uma posição na vanguarda dos Estados europeus.

Não obstante esses fatos, a nação espanhola não foi uma das vanguardeiras da cultura renascentista. A longa guerra com os mouros engendrara um espírito de carolice. A posição da Igreja era fortíssima. A expulsão dos judeus, em fins do século 15, privara o país de uma soma de talentos que lhe fazia imensa falta.

Por essa razão, a renascença espanhola limitou-se a um pequeno número de realizações no campo da pintura e da literatura, ainda que algumas delas igualassem em valor as melhores produzidas em outros países.

A pintura espanhola exprimiu uma intensa preocupação com a religião e com temas angustiosos e trágicos.

O seu mais talentoso artista foi um imigrante que veio da ilha de Creta, cujo nome era Doménikos Theotokópoulos, conhecido por el Greco (1541-1614). Depois de estudar algum em tempo com Tiziano Vecellio em Veneza, estabeleceu-se em Toledo mais ou menos em 1575, onde ficou até sua morte.

Quase toda a sua arte caracteriza-se pelo emocionalismo, pela tragédia febril ou por arrebatadas fugas para o sobrenatural e o místico. Pintou muitas figuras esquálidas e de aspecto ascético; suas cores são, às vezes, frias e severas, enquanto as cenas de sofrimento e morte parecem armadas deliberadamente para dar uma impressão de horror.

O enterro do conde de Orgaz (El entierro del Señor de Orgaz popularmenteEl entierro del Conde Orgaz, Pentecostes (Pentecostés) e a Visão apocalíptica (Visión del Apocalipsis)estão entre suas obras mais famosas.

Melhor do que qualquer outro artista, El Greco exprimiu o inflamado zelo do povo espanhol durante o ponto mais alto da Inquisição.

Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 2010

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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