Latim e Direito Constitucional

Pieter Bruegel de Oude (em inglês Pieter Bruegel the Elder) (1525-1569) foi o grande nome na arte nos Países Baixos.

Apesar de ter passado alguns anos na Itália, para lá esudar as realizações dos mestres renascentistas, sua obra foi sempre flamenga, tanto em conteúdo como em estilo.

Mesmo tendo mantido a tradição de artistas anteriores de Flandres (VlaanderenFlandre e Flandern), de pintar de maneira realista cenas da vida cotidiana, foi um dos primeiros a atentar para a vida dos campoaneses numa atitude simpática.
Profundamente moralista e religioso, seu quadro Terra de Coconha, (The Land of Cockaigne Schlaraffenland - Het Luilekkerland), que representa pessoas gordas reclinadas em lânguido estupor após um festim, visa mostrar que estão vivendo num paraíso ilusório.

Sua outra obra O massacre dos inocentes (Massacre of the Innocents - Le Massacre des innocents)alcança elevado nível emocional, ao condenar a guerra e a brutalidade, quando mostra soldados violentos arrombando casas e chacinando crianças.

Na França, realizações notáveis na literatura e na filosofia foram ilustradas por François Rabelais (1497-1553) e Michel de Montaigne (1533-1592).

Educado como monge, Rabelais deixou o mosteiro para estudar medicina na universidade de Montpellier. Em 1532 publicou a primeira edição deGargântua (Gargantua), mais tarde acrescido de outro livro, intituladoPantagruel (Pantagruel) nomes de lendários gigantes medievais.

Ele satirizava as práticas da Igreja, radicularizava a escolástica, zombava das superstições e punha a nu todas as formas de hipocrisia e de repressão.

Ao glorificar o humano e o natural num individualismo radical, considerava sãos todos os instintos do homem, contanto que não se voltassem para tiranizar outros homens.

Sua famosa descrição da abadia de Thélème (L'abbaye de Thélème) pretendia mostrar o contraste entre a sua concepção de liberdade e o ideal ascético cristão. Em Thélème não havia relógio que concitasse aos deveres nem votos de celibato ou de perpétua submissão. Os monges comiam, bebiam, trabalhavam e dormiam quando bem lhes aprazia. A única cláusula da regra monástica era “Faça o que quiseres” (Fais ce que voudras

De temperamento e formação bem diferente, Michel de Montaigne foi submetido a um meticuloso sistema de educação. Era acordado por música suave e atendido por criados que só falavam latim.

Após cursar  direito e exercer vários cargos públicos, aos 37 anos retirou-se para seu morgado, a fim de se consagrar ao estudo, à contemplação e ao cultivo das letras.

Suas ideias estão contidas em seus famosos Ensaios (Les Essais)escritos durante os anos de retiro. Sua filosofia é o ceticismo em relação a qualquer dogma ou verdade definitiva.

Parecia-lhe que a religião e a moral eram tanto produtos de costume quanto a moda de vestuário ou os hábitos alimentares. Para ele Deus é incognoscível.

Segundo seu pensamento, os homens deveriam  ser encorajados a desprezar a morte e viver de maneira nobre e  humana nesta vida, em vez de piedosamente almejar uma existência no além-túmulo.

Montaigne era cético em relação a pressupostos de verdade final tanto em filosofia quanto em ciência.

As conclusões da razão lhes pareciam às vezes falazes, assim como achava que os sentidos nos enganam com frequência.

Tinha convicção de que quanto mais os homens se convencerem de que não existe certeza em parte alguma, mais oportunidade terão de escapar à tirania que nasce da superstição e da hipocrisia.

Para ele, o caminho da salvação está na dúvida e não na fé. Montaigne reflete esse estado mental de incerteza e ansiedade. 

Rio de Janeiro, 03 de janeiro de 2010.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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