Latim e Direito Constitucional

Geoffrey Chaucer (1343-1400), poeta, filósofo e escritor, aproximou-se muito da literatura forte e naturalista em vernáculo. Escreveu em inglês.

Impressionante que tenha sido um dos pais da pujante tradição literária da Inglaterra, um dos poucos que mais contribuíram para ela, como William ShakespeareJohn MiltonWilliam Wordsworth e Charles Dickens.

Sua obra-prima são os lindos e inacabados Contos da Cantuária (The Canterbury Tales)uma coleção de histórias unidas por um fio condutor: um grupo de pessoas relata aventuras durante uma peregrinação entre Londres e Cantuária.

Narradas em versos reluzentes, coruscantes, saem da boca de um cavaleiro, um dedicado estudante universitário, um moleiro dado a gatunagens, com verruga no nariz e da inesquecível Esposa de Bath (The Wife of Bath's Tale), banguela e casada várias vezes, conhecedora de todos os remédios do amor. Cada personagem narra um episódio que ilustra sua própria ocupação e seu modo de ver o mundo.

Chaucer conseguiu assim criar uma comédia humana muito divertida. Ele foi espirituoso, franco, lascivo e profundo.

O naturalismo foi o traço dominante não só na literatura como também nas artes plásticas. Os escultores góticos davam mais atenção à maneira como as plantas, os animais e os seres humanos realmente se apresentavam.

A arte medieval saiu do desenho abstrato e passou a dar realce cada vez maior ao realismo, com a observação direta de folhas e flores. As estátuas humanas ganharam proporções mais naturais e se tornaram mais realistas na representação de expressões faciais.

Essa tendência foi levada também para a iluminura de manuscritos em paredes, na forma de afrescos.

No século 13 artistas italianos começaram a pintar quadros sobre pedaços de madeira ou tela. Por volta de 1400 a pintura a óleo foi introduzida no norte da Europa.

Esse avanço tecnológico criou novas oportunidades artísticas, pois os pintores podiam agora produzir cenas religiosas em retábulos de altares e para devoções particulares, praticadas por leigos mais ricos em suas casas.

Os artistas passaram a executar também os primeiros retratos ocidentais, que visavam a satisfazer a vaidade de monarcas e aristocratas. O mais antigo exemplo conhecido é de um rei francês, João o Bom (Jean II de France, le Bon  -- 1319-1364), ralizado por volta de 1360. Outros seguiram-se rapidamente. Em pouco tempo a arte do retrato, feito a partir de modelos vivos, estava muito desenvolvida. Os museus de arte mostram muitos deles que datam do século 15.

Giotto di Bondone (Ambrogio ou Angiolo di Bondone - 1267-1337) foi o mais importante pintor florentino da Idade Média tardia. Suas imagens religiosas eram executadas tanto em murais como em painéis móveis.

Imitador da natureza, suas figuras humanas e animais dão a impressão de executar atos mais naturais.

Quando Cristo entra em Jerusalém, no Domingo de Ramos, rapazes sobem em árvores para ver melhor; quando São Francisco está no leito de morte, um circunstante aporveita a oportunidade para verificar se o santo realmente recebera as chagas de Cristo; e quando os pais da Virgem Maria, Joaquim e Ana, se encontram após uma longa separação, abraçam-se e beijam-se. Talvez seja esse o primeiro beijo de profunda ternura na arte ocidental.

Giotto foi o primeiro a conceber o espaço  pintado em termos tridimencionais. Seus afrescos foram os primeiros a abrir um buraco na parede.

Após a sua morte sobreveio uma reação na pintura italiana. Os artistas de meados do século 14 afastaram-se por algum tempo do naturalismo e pintaram figuras religiosas severas e aterradoras, que pareciam flutuar no espaço.

No entanto, por volta de 1400 os artistas voltaram à terra e começaram a desenvolver a influência recebida de Giotto, numa linha que levou ao grande renascimento italiano na pintura.

Rio de Janeiro, 21 de junho de 2009.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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