Latim e Direito Constitucional

As grandes nações-estados também não escaparam incólumes ao tumulto do fim da Idade Média.

A França viveu mergulhada em conflitos durante a guerra dos cem anos com a Inglaterra, de 1337 a 1453, tendo como causa o antigo problema de territórios franceses controlados por reis ingleses, por exemplo, a Gasconha (La Gascogne) e Aquitânia (Avec ses 41 309 km 2 , l'Aquitaine est la troisième région métropolitaine française par sa superficie [ et correspond ainsi à 8% du territoire national.l'Aquitaine).

Outra causa do litígio: os interesses econômicos dos ingleses no comércio de lã com Flandres (La Flandre) os levaram a apoiar as frequentes tentativas de burgueses flamengos de revolta contra o domínio francês.

Finalmente, a ascensão direta dos capetos ao trono francês chegou ao fim em 1328 e foi substituída pela aparentada dos Valois. Os reis ingleses, eles prórprios descendentes dos capetingios, em decorrência de casamentos, passaram a reivindicar a própria coroa francesa. 

A Inglaterra vencia as batalhas, porque utilizava arqueiros disciplinados para conter e dispersar os cavaleiros franceses, que usavam pesadas couraças. Foi assim nas batalhas de Crécy (1346), Poitiers (1356) e Agincourt (1415).

Motivo explicaável porque a guerra se travou sempre em solo francês. Os soldados ingleses lutravam com denodo, pois podiam contar com a possibilidade de saques lucrativos. Ademais estavam no trono francês vários reis da maior inépcia e os ingleses incentivavam as dissensões internas na França.

Nesse período é que surgiu a figura heroica de Joana d’Arc (Jeanne d'Arc).
Em 1429, uma jovem camponesa analfabeta, mas extremamaente devota, procurou o soberano francês, não coroado, Carlos VII (Charles VII de France), para anunciar que havia sido incumbida por Deus para expulsar os ingleses da França.      

Com a permissão real, ela assumiu o comando de suas tropas. A piedade e a sinceridade da moça causaram tal impressão favorável nos soldados que o seu moral aumentou imensamente.

Em poucos meses ela havia libertado grande parte da França central do domínio inglês e levado Carlos a Reims, onde ele foi coroado rei.

Infelizmente, em maio de 1430, foi capturada pelos borgonheses e entregue aos ingleses, que a acusaram de bruxaria e julgaram-na como herege. Condenada em 1431, após um julgamento predeterminado, foi queimada na fogueira publicamente, na Praça do Velho Mercado (Place du Vieux Marché), de Rouen.

Estimulados por suas vitórias iniciais, os franceses continuaram na ofensiva. Quando a Borgonha (La Bourgogne) desfez a aliança com a Inglaterra em 1435, e o monarca inglês Henrique VI (Henry VI) mostrou-se de todo incompetente, seguiu-se uma série de triunfos franceses.

Em 1453, a captura de Bordéus (Bordeaux), o último reduto inglês no sudoeste, finalmente pôs fim à longa guerra. Os ingleses deixaram de dominar qualquer território francês, salvo o porto de Calais, no casal da Mancha (La Manche – English Channel),  que acabaram perdendo em 1558.  

Além da expulsão dos ingleses de território francês, a guerra dos cem anos teve como consequência o fortalecimento da coroa francesa.

A monarquia demonstrou extraordinária força de resistência, pois oferecia à França as mais fortes instituições que o país conhecia e a única esperança realista de estabilidade e paz duradoura.

Com a cobrança de impostos e a manutenção de um exército permanente, a coroa pôde renovar a tradição real da alta Idade Média, de governo impositivo. Nos reinados de Luís XI (Louis XI de Francele Prudent  (1461-1483) e Luís XII (Louis XIIle Père du peuple - 1498-1515), a monarquia tornou-se ainda mais forte. Quando Luís XII  ganhou a Borgonha, os reis franceses passaram a dominar energicamene quase todo o terriório que hoje constitui a França. 

Rio de Janeiro, 31 de maio de 2009.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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