Latim e Direito Constitucional

Na Boêmia a influência das teses de Wycliffe foi muito maior. Em 1400 estudantes checos, que haviam estudado em Oxford, levaram suas ideias para Praga, as quais foram recebidas com entusiasmo por um convincente pregador chamado João Huss (Jan Hus - 1369-1415).

Ele utilizou as teorias de Wycliffe como apoio em prol do fim da corrupção eclesiástica. Além disso, ganhou seguidores entre a massa, devido à sua eloquência e sua preocupação pela justiça social.

Em 1415 viajou ao Concílio de Constança (Das Konzil von Konstanz) para tentar persuadir os prelados ali reunidos, de que somente uma reforma geral seria capaz de salvar a Igreja. Infelizmente foi traído, julgado por heresia e queimado na fogueira.

Ultrajados, seus seguidores ergueram a bandeira da revolta aberta. Os padres mais pobres, os artesãos e os camponeses cerraram fileiras na esperança de concretizar as metas de Huss = reforma religiosa e justiça social.

Isso significa que mesmo os conservadores se recusaram a voltar à ortodoxia plena. A Boêmia só voltou ao redil católico no século 17, por ocasião da contra-reforma. 

Nesse período houve uma melhora em quase todos os governos da Europa. No decorrer do século 15, a paz retornou à maior parte do continente, as monarquias nacionais tornaram-se mais fortes com uma nova promessa de força, tanto política quanto econômica.

O reino de Nápoles estivera mergulhado em guerras e desgovernos durante todo o século 14 e o 15. Igualmente foi uma época de dificuldades para os estados pontifícios, pois as suas forças não eram capazes de vencer a resistência de cidades recalcitrantes ou de líderes vivos de bandos armados de pilhadores.

Após o fim do grande cisma (grand schisme d’Occident ou Grand Schisme), em 1417, os papas consolidaram seus próprios territórios italianos e aos poucos se tornaram soberanos fortes na maior parte da área central da península.

Nas alturas de 1400, Veneza. Milão e Florença haviam instituído suas próprias formas de governo. Veneza era governada por uma oligarquia de mercadores, Milão por um despotismo dinástico e Florença por um sistema complexo, que pretendia ser republicano, mas que na verdade era dominado pelos ricos.

Tendo resolvido seus problema internos, essas cidades empenhavam-se a expandir-se territorialmente e a conquistar quase todas as demais cidades do norte da Itália, com exceção de Gênova, que permanecia próspera e independente.

Em meados do século 15, a Itália achava-se dividida em 5 partes principais: a) os estados de Veneza, Milão e Florença ao norte; b) os estados pontifícios ao centro; c) e o atrasado reino de Nápoles ao sul. Em 1454 um tratado inaugurou meio século de paz entre esses estados. Sempre que um deles ameaçava alterar o “equilíbrio de poder“, os demais se aliavam contra ele, antes que irrompessen hostilidades sérias. 

A segunda metade do século 15 foi uma época feliz para a Itália. Mas em 1494 uma invasão francesa deu início a um novo período de guerras, cuja tentativa foi neutralizada com êxito pela Espanha.

Ao norte dos Alpes a agitação política perdurou na maior parte do século 14 e entrou pelo 15. A instabilidade mais grave era a reinante na Alemanha. Os príncipes independentes moviam guerras contra os imperadores muito debilitados ou guerreavam entre si.

Entre 1353 e 1450 prevaleceu uma situação de quase anarquia. Enquanto os príncipes guerreavam e subdividiam suas heranças em estados menores, forças secundárias se esforçavam por livrar-se do poder dos príncipes.

Na maior parte oeste do país, essas tentativas alcançaram êxito para fragmentar a autoridade política. Mas ao leste, em 1450, alguns príncipes alemães mais fortes lograram afirmar sua autoridade sobre forças dissidentes.

Depois disso passaram a governar com firmeza estados de porte médio, organizados segundo o modelo das monarquias nacionais maiores da Inglaterra e da França.

Rio de Janeiro, 14 de junho de 2009.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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