Latim e Direito Constitucional

A rebelião na cidade de Brunswick, no norte da Alemanha, em 1374, foi uma agitação na qual uma aliança política substituía outra. O levante na cidade de Lübeck, em 1408, foi uma tentativa de facção de poder, no sentido de criar um sistema de governo menos oneroso.

O episódio mais próximo de uma verdadeira revolta proletária foi o dos ciompi (Il Tumulto dei Ciompi) florentino, em 1378. Cardadores de lã, alguns haviam perdido o emprego, outros lubriados ou sub-remunerados pelos senhores da indústria da lã.

Em 1378 Florença (Firenze ou Florentia) se encontrva exauarida por 3 anos de guerra com o papado. As circunstâncias os levaram a buscar apoio das classes mais baixas. Uma vez despertados, os ciompi ganharam ousadia para lançar sua própria insurreição, muito mais radical. Ganharam o poder durante 6 semanas, nos quais tenteram instituir a redução dos impostos e maior nível de emprego. Não conseguirem manter-se no poder e um novo governo oligárquico revogou todas as suas reformas.

Essas várias revoluções só ocorreram em face de uma crise econômica reinante e de considerações políticas. As agitações de classes inferiores de grupos econômicos desesperados logo fracassaram. Isso porque as classes altas estavam acostumadas a manobrar o poder, tnham acesso ao dinheiro e às tropas necessárias para sufocar desordens.

Além disso, os rebeldes das classes baixas estavam mais voltados para a reparação de agravos imediatos do que para desenvolverem programas de governo a longo prazo e plenamente coerentes.

Mesmo reprimindo os levantes populares, as classes superiores ficaram obcecadas com a manutenção de seu privilégios. Os aristocratas da Idade Média tardia achavam-se numa situação econômica precária, porque tiravam da terra a maior parte de suas rendas, nma época em que os preços dos cereais e os as suas rendas estavam caindo e os salário aumentando.  

Todos se sentiam mais expostos à incerteza social e econômica do que antes. Daí resultou tentarem exigir barreiras artificiais que pudessem separá-los das outras classes. Exemplos claros dessa separação foram a ênfase que os aristocratas passaram a dar ao luxo e à formação de ordens fechadas de cavalaria.

A Idade Média tardia foi o período por excelência da ostentação. Enquanto a fome ou a doença grassavam, os aristocratas regalavam-se com banquetes perdulários e uma vida faustosa, para passar a mensagem de que eram inteiramente diferentes das outras.

Nessa época proliferam as ordens de cavalaria, como a dos cavaleiros da liga ou  o Tosão de Ouro espanhol (La Orden del Toisón de Oro), alemão e austríaco (Der Orden vom Goldenen Vlies), inglês (The Order of the Golden Fleece), holandês (Orde van het Gulden Vlies), francês (l’Ordre de la Toison d'Or) e italiano (L'Ordine del Toson d'oro).

Essa ênfase absurda do luxo representava uma forma de escapismo. Os aristocratas achavam conforto emocional, ao se retirarem para um mundo fantasioso de maneiras elegantes, festas magníficas e roupas multicores. 
Fato interessante é que essas mesmas pessoas caíam com a mesma frequência no extremo oposto emocional, quando confrontadas com as tensões psíquicas causadas pelos problemas da época e se abandonavam ao pesar. Durante todo esse período, homens e mulheres, já adultos, derramavam lágrimas em abundância.

Os pregadores incentivavam também os fiéis a meditar sobre a paixão de Cristo e sobre sua própria mortalidade. Abundavam crucifixos assustadores e a figura da Virgem  como uma mãe lacrimosa.

Essa obsessão com a morte percebe-se ainda nas esculturas, afrescos e ilustrações de livros, que lembravam aos fiéis a brevidade da vida e os tormentos do inferno.

Apareciam também ilustrações com figuras da morte sorridente, portando seu alfange e carregando consigo homens e mulheres elegantes ou demônios sádicos, assando no inferno seres humanos que gritavam de dor.

Essas reações extremadas eram necessárias para ajudar as pessoas a enfrentarem seus temores.

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2009.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

 

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