Latim e Direito Constitucional

O Romance da Rosa (Roman de la Rose) representa uma ilustração do crescente mundanismo. Iniciada em 1230 pelo cortesão Guilherme de Lorris (Guillaume de Lorris), a obra foi terminada em 1270 por Jean de Meung, que lhe alterou profundamente a natureza.

Em longas e picantes digressões, troçava da hipocrisia religiosa. Exaltou a “dama natureza” no tocante à fertilidade, em imagens e metáforas espirituosas, extremamente vulgares. Sonhador, o herói apodera-se da sua amante, alegoricamente representada por uma rosa e a viola.

 A Divina Comédia (Commedia ou Divina Commedia) é a maior obra da literatura medieval. Seu autor Dante Alighieri (1265-1321) adquiriu um domínio espantoso do conhecimento religioso, filosófico e literário de sua época. Não só absorveu a teologia escolástica como conhecia em profundidade Virgílio, Cícero, Boécio, além dos trovadores e a poesia italiana de seu próprio tempo. Expulso de Florença (Firenze) em 1302, sua obra foi escrita no exílio.

Ela descreve a jornada do poeta pelo inferno, purgatório e paraíso. “Floresta escura” é a metáfora para a sua profunda crise pessoal na meia idade. É tirado dela por Virgílio – que representa os píncaros da razão e da filosofia clássica - que o guia nessa viagem pelo inferno e pelo purgatório e depois por Beatriz, sua amada já falecida – que representa a sabedoria e a bem-aventurança cristã - que o guia pelo paraíso.
No decorrer da jornada, Dante encontra vultos históricos e contemporâneos seus, todos os quais já têm lugares marcados na vida extraterrestre. Ele vem saber, tanto por eles próprios como por seus guias, os motivos pelos quais eles tiveram essa ou aquela sorte.

À medida que se desenrola o poema, o poeta sai de sua situação de desespero para crescer em sabedoria e, finalmente, certificar-se de sua própria salvação.

Notável que Dante tinha sido capaz de sintetizar o suprassumo do saber medieval do ponto de vista artístico. Acima de tudo, exprime o estado de espírito dominante na alta Idade Média e torna Dante um dos dois ou três escritores mais positivos que já viveram.

Na arquitetura, os mais próximos equivalentes da Divina Comédia são as grandes catedrais, com atributos de vastas dimensões, equilíbrio, pormenores complexos, altura arrojada e grandeza religiosa.

O estilo românico veio a formar-se plenamente no século XI e na primeira metade do século XII, quando o movimento de reforma religiosa levou à construção de muitos novos mosteiros e de grandes igrejas. Estilo arquitetônico, visava manifestar a glória de Deus em construções eclesiásticas, ao subordinar com rigor todos os pormenores arquitetônicos a um sistema uniforme. Era a contrapartida arquitetônica do hino sem ornamentos. Com certeza, as primeiras manifestações de uma retomada do interesse pela escultura da forma humana.

No curso dos séculos XII e XIII ele foi suplantado na maior parte da Europa pelo gótico. O romântico e o gótico eram tão diferentes entre si quanto a poesia épica diferia do romance.
A arquitetura gótica era um complicadíssimo estilo de construção, com arco ogival, abóbadas de arestas e de nervuras, além dos arcobotantes.

Expressão de um misticismo puramente ascético, as catedrais góticas incluíam vitrais sem qualquer significado religioso. Além do mais, eram personificação do gênio intelectual da Idade Média e revelações de orgulho das cidades. Destinavam-se a ser centros de vida comunitária como expressão da grandeza da cidade.

Construídas para durar por toda a eternidade, elas proporcionavam o mais notável modelo visual da incontida exuberância da época.

O teatro renasceu a partir do zero nas igrejas. Certas passagens da liturgia começaram a ser encenadas em língua vernácula, para que toda a congregação pudesse entendê-la.

O mesmo ocorreu com a música, que era homofônica, porque desenvolvia somente uma melodia de cada vez, sem qualquer fundo harmônico. A inovação da alta Idade Média foi a polifonia, isto é, a execução simultânea de duas ou mais melodias harmônicas.

Em 1170, na catedral de Paris, a missa começou a ser cantada por duas vozes, as quais entrelaçavam duas melodias diferentes em contraponto. Inventaram-se e aperfeiçoaram-se sistemas de notação musical. A execução deixou de depender da memória dos cantores e pôde tornar-se mais complexa.

Muitas das pessoas que prestaram importantes contribuições para o saber devem ter-se misturado umas com as outras na Paris da alta Idade Média. Os luminares são conhecidos mas se perderam os nomes da maioria dos outros. Em muitos sentidos suas colaborações ainda sobrevivem.

Rio de Janeiro, 03 de maio de 2009.


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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