Latim e Direito Constitucional

A ordem dos franciscanos era bem diferente e mais radical. Francisco de Assis (Francesco d'Assisi - Giovanni di Pietro Bernardone - 1182-1226) conduziu-se de início como um rebelde social e um herege.

Filho de um rico mercador italiano, sentiu-se insatisfeito com os valores do pai e decidiu transformar-se em servo dos pobres. Doou todas as suas propriedades, despiu-se de suas vestes em público, meteu-se na roupa simples de mendigo e começou a pregar a salvação e a cuidar dos desassistidos.

Imitava com rigor a vida de Cristo e manifestava indiferença em relação à doutrina, ao formalismo e ao cerimonial. Apesar disso, desejava ganhar o apoio do papa.

Num belo dia de 1210, apareceu em Roma acompanhado de um grupo de esfarrapados, para pedir que Inocêncio III (Innocenzo III) aprovasse uma “regra” primitiva, que era pouco mais que uma coletânea de preceitos evangélicos.

Como estava disposto a professar obediência, o papa teve um gesto audacioso de aprovar a regra de Francisco e dar-lhe permissão para pregar.

Com o apoio papal, o movimento franciscano espalhou-se depressa. Dessa maneira, Inocêncio conseguiu arregimentar uma força nova e vital, que ajudaria a manter um senso de entusiasmo religioso dentro da Igreja.

Até o fim do século 13, tanto os franciscanos como os dominicanos trabalharam em estreita aliança com a monarquia papal, mantendo um relacionamento de mútuo apoio.

Os papas ajudavam os frades a se propagar por toda a Europa e muitas vezes lhes permitiam até usurpar alguns deveres dos párocos.

Por sua vez, os frades combatiam a heresia, ajudavam a pregar as cruzadas pontifícias, realizavam ativo trabalho missionário e cumpriam outras missões especiais para os papas.

Assim, acima de tudo, por força do seu exemplo e sua vigorosa pregação, os frades ajudaram a manter a intensidade religiosa durante todo o século 13.

Dessa maneira, o período entre 1050 e 1300 foi todo ele uma grande “era de fé”.

Os resultados tangíveis foram as obras de teologia, artísticas e arquitetônicas. Os intangíveis foram também importantes. Até a religião cristã se tornou uma força viva na alta Idade Média, pois não havia praticamente ideais comuns que inspirassem os homens e mulheres medievais.

A vida na Idade Média era extraordinariamente dura. Até mais ou menos 1050 não havia muita coisa que lhe emprestasse significado.

Quando as pessoas passaram a levar o cristianismo mais a sério, surgiu um impulso para todo o tipo de trabalho árduo.

Depois de 1050 os europeus passaram a ter literalmente melhor alimentação do que antes e começaram agora a contar também com um melhor pão do espírito. Por essa razão, realizavam grandes feitos em todos os campos da atividade humana.  
 
Rio de Janeiro, 10 de maio de 2009.


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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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