Latim e Direito Constitucional

Notáveis as realizações islâmicas no campo da medicina.

Avicena (Ibn Sina – 980-1037) descobriu a natureza contagiosa da tuberculose e observou que a doença pode propagar-se pela contaminação da água e do solo. Sua principal obra médica é o enciclopédico al-Qanun , ou Cânone da Medicina , aceito na Europa até fins do século 17.

Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi ( 865 - 925 ), conhecido pelo nome latino de Rasis e também Rhazes ou Al-Razi, foi o maior clínico do mundo medieval. Seu feito principal foi a descoberta da diferença entre o sarampo e a varíola.

Os muçulmanos superaram todos os demais povos medievais na organização de hospitais e no controle da prática da medicina. Na Pérsia, na Síria e no Egito havia uns 34 grandes hospitais organizados de modo bem moderno; cada qual contava com alas para doenças diferentes, um dispensário e uma biblioteca.

Outros grandes avanços científicos deram-se nas áreas da ótica, da química e da matemática.

Os físicos fundaram a ciência da ótica e tiraram várias conclusões importantes com relação à teoria das lentes e da velocidade, transmissão e refração da luz.

A química foi produto da alquimia, invenção dos gregos helenísticos, o sistema da crença que se baseava no princípio de que todos os metais eram em essência o mesmo e que, portanto, metais menos nobres poderiam ser transmutados em ouro, se fosse possível descobrir o instrumento correto para isso – a pedra filosofal.

Em matemática, sua maior realização foi unificar a geometria dos gregos com a numerologia dos indianos. Tomando de empréstimo deles o que os ocidentais conhecem como “algarismos arábicos”, inclusive o zero, foram capazes de desenvolver uma aritmética baseada no sistema decimal e também fizeram progressos na álgebra (ela própria uma palavra árabe). Ampliando a geometria grega e aplicando-a aos movimentos celestes, lograram grande progresso na trigonometria esférica. Assim unificaram e aprofundaram todas as obras de conhecimento matemático.

Os árabes primitivos foram excelentes na composição da poesia. O mais famoso foi Ghiyath Al Din Abul Fateh Omar Ibn Ibrahim Al Khayyam (1048-1131), desde que o s Rubaiyat (em português, “quadras” ou “quartetos”) ficaram famosos no Ocidente a partir da tradução de Edward Marlborough FitzGerald (1809-1883), em 1839 . Outros grandes poetas foram Musharrif Od-Dîn Sa'adi (1193-1292) e Chama al-Din Muhammad Hafiz (1325-1390).

Nas atividades artísticas foram ecléticos. Sua principal inspiração era a arte de Bizâncio e da Pérsia. A arquitetura foi uma das mais importantes de suas artes; o desenvolvimento da pintura e da escultura viu-se inibido pelo preconceito religioso contra a representação da forma humana.

Entre seus principais elementos contavam-se as cúpulas bulbosas, os minaretes, os arcos em forma de ferradura e as colunas retorcidas, juntamente com o emprego do rendilhado de pedra, a alternância de faixas de preto e branco, mosaicos e caligrafia árabe como artifícios de decoração.

As suas artes menores incluíam a tapeçaria, magníficos trabalhos em couro e a fabricação de sedas brocadas, marchetaria, vidros esmaltados e cerâmica pintada.

Na maioria, os produtos dessas artes eram decorados com arabescos, frutas e flores, inscrições árabes e animais fabulosos. A arte dava ênfase toda especial ao puro aspecto visual. Sem qualquer função na educação religiosa, tornou-se altamente abstrata e não figurativa. Por esses motivos, a arte muitas vezes parece mais secular e “moderna” do que qualquer outra anterior aos tempos modernos.

Rio de Janeiro, 16 de novembro de 2008.
 

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale e Dario Antiseri ( Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi . 8. ed. Brescia: La Scuola , 1986).

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