Latim e Direito Constitucional

Até 70 d. C., quando destruído pelos romanos, o templo era o mais importante centro religioso judaico. Lá é que se realizavam os sacrifícios, o sinédrio se reunia, eram armazenados as riquezas e os impostos, bem como os objetos de culto (At 2, 46; 3, 1;22 17).

Era o centro de toda a vida religiosa, econômica e política. Suas atividades e a organização revelam os valores e as divisões dessa sociedade, onde os sacerdotes e conhecedores da lei possuíam privilégios, assim como só os homens circuncidados eram levados em conta (Ne 12, 1-7.12-21).

Para organizar a vida religiosa e os cultos, havia o clero chefiado pelo sumo sacerdote, proveniente das famílias mais ricas, o que demonstra o seu caráter político. A função sacerdotal era hereditária. A classe clerical recebia salário, que provinha dos sacrifícios e dos dízimos. Ao seu lado, havia 10.000 levitas, também organizados em 24 equipes. Atuavam como músicos ou porteiros cinco vezes por ano. Não recebiam salários (Dt 18, 6-8; Lc 1, 5).

As sinagogas eram também centros religiosos, pois nelas se cultivava a Deus e era estudada a lei, como ocorre ainda hoje.

As festas religiosas possuíam um papel destacado na sua vida. Nelas o povo se juntava em Jerusalém e celebrava a intervenção divina em sua história, para perpetuar a memória e as tradições. As mais importantes eram a Páscoa, que recordava a libertação da escravidão no Egito, Pentecostes, que ocorria na época da colheita e recordava a aliança no Sinai, e Tendas, que festeja o próprio templo (Ex 12, 1-28; 23, 14-17; 23, 16).

Outras festas religiosas eram a circuncisão, a guarda do sábado, a oração cotidiana, realizada pela manhã e à tarde (Gn 21, 4; 2, 1-3; 24, 12-14).

É falsa a ideia que se tem hoje de que o judaísmo era um bloco monolítico, uma religião solidamente unificada. Havia muitos e variados subgrupos dentro do judaísmo antigo. O movimento de Jesus era, a princípio, só um deles. A separação do cristianismo do judaísmo aconteceu gradualmente.

Os judeus tinham certas crenças comuns e praticavam alguns aspectos da religião: eram monoteístas, praticavam a lei de Moisés, circuncidavam-se etc. Mas os diferentes grupos judeus debatiam e discordavam entre si sobre muitos detalhes, tais como as expectativas sobre o Messias, os rituais e as leis de pureza, assim como sobre como viver sob a dominação estrangeira.

Os evangelhos mencionam os fariseus e os saduceus. O historiador Josefo acrescenta os essênios.
Os fariseus eram um grupo ativo e influente. Etimologicamente, o termo significa “separado” e refere-se à observância rígida das leis e tradições por parte dos membros do grupo (Lc 18, 10-12). Seus líderes eram chamados de rabinos, como Gamaliel, e se dedicavam a estudar e comentar as escrituras (At 5, 34; 22, 3).

Aderiram à submissão rígida do sábado e o defendiam, assim como os outros rituais de pureza, do dízimo, das restrições alimentares, baseando-se nas escrituras hebraicas e em tradições orais mais recentes (Mc 7, 1-13; Mt 15, 1-20). Opunham-se à romanização e à helenização.

Eram leigos, em sua maioria, ainda que entre eles se encontrassem alguns levitas e membros do sinédrio (At 5, 34). Consideravam-se sucessores de Esdras e dos primeiros escribas. Eram os frequentadores das sinagogas e buscavam divulgar a interpretação da lei escrita e oral.

Acreditavam na ressurreição dos mortos (Mc 12, 18-27), no livre-arbítrio do homem, na onipresença de Deus, no papel da lei como um freio para os impulsos negativos dos homens (At 23, 1-8).

Os evangelhos os retratam como os principais oponentes de Jesus (Mc 8, 11; 10, 2) e que teriam conspirado com os herodianos para matá-lo (Mc 3, 6).

Jesus dirige algumas críticas severas contra a hipocrisia e a cegueira deles (Mt 23; Jo 9). Mas, em termos teológicos, cristãos e fariseus concordavam em alguns aspectos, o que explica o grande número de fariseus que acabaram por tornar-se cristãos (At 5, 15). Paulo, antes de sua conversão, era um fariseu (Fil 3, 5; At 23, 6; 26, 5).

Rio de Janeiro, 11 de maio de 2008.

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