Latim e Direito Constitucional

Por ser uma região de passagem, circulavam pela Palestina muitos soldados, comerciantes, mensageiros, diplomatas e tantas outras pessoas. Cesareia e Jerusalém eram importantes centros urbanos, cujas vias e portos facilitavam as comunicações e transportes de pessoas e mercadorias (At 9, 30; 18, 22; 21, 8).

Uma manufatura incipiente cuidava da defumação ou salgação de peixes, construção, fiação e tecelagem, produção de artigos com couro, cerâmica. Nas grandes cidades havia pedreiros, carregadores de água e barbeiros (1Sm 2, 19; Pr 31, 17.24; 1Cr 4, 21).

O comércio certamente era praticado com vista ao abastecimento das grandes cidades. As elites e o templo importavam produtos de luxo. Eram exportados alimentos – frutas, peixes, vinho – e manufaturas, como perfumes e betume (Gn 6, 14; 14, 10; 11, 3; Ex 2, 3).

A agricultura era a principal atividade econômica. Plantavam-se trigo, cevada, figo, azeitonas, uvas, tâmaras, romãs e maçãs. Encontravam-se também rosas, para a produção de essências destinadas aos perfumes (Dt 23, 26; Mt 12, 1s; Mc 2, 23; Lc 6,1; Ex 9, 31; Rt 1, 22).

As atividades de pesca, pecuária e extrativismo não podem ser esquecidas, devido à sua grande importância econômica. Banhada pelo Mediterrâneo, cortada por rios e possuindo lagos, é fácil deduzir a variedade de peixes e seu papel para o abastecimento interno e até exportação. A região possuía rebanhos de ovelhas, cordeiros e bois. Além do betume, é de ressaltar a variedade de árvores, como salgueiro, loureiro, pinheiros, dos quais se extraíam madeira, temperos e essências (Jó 40, 25; Is 19, 8; Am 4, 2).

A sociedade palestinense era dividida em grupos socioeconômicos: os ricos, grandes proprietários, comerciantes ou elementos provenientes do alto clero; os grupos médios, sacerdotes, pequenos e médios proprietários rurais ou comerciantes; os pobres, trabalhadores em geral, seja no campo ou nas cidades; e os miseráveis, mendigos, escravos ou excluídos sociais, como ladrões (Gn 31, 5-9; Dt 28, 3-7; 1Cr 5, 34; Eclo 40, 28ss; Ex 21, 3s).

As diferenças sociais não se pautavam somente na riqueza ou pobreza do indivíduo, mas em diversos outros critérios, como sexo, função religiosa, conhecimento e pureza étnica. Uma mulher, por exemplo, ainda que proveniente de família rica, estava numa situação social inferior à de um simples levita. Um samaritano, apesar de descendente dos israelitas, devido à miscigenação, era considerado impuro e, socialmente, inferior a uma mulher judia (Gn 12,12-20).

Rio de Janeiro, 04 de maio de 2008.

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