Latim e Direito Constitucional

O deus de Aristóteles (384/383-322 a.C.) não era pessoal, mas o primeiro motor, uma inteligência pura desprovida de qualquer sentimento, vontade ou desejo.

Tudo indica que não tenha deixado lugar para a imortalidade individual. Todas as funções da alma, exceto a razão criadora, dependem do corpo e perecem com ele.

A sua filosofia ética era menos ascética do que a de Platão. O mais alto bem do homem consiste na autorrealização, que é idêntica à vida da razão, combinação de certas condições físicas e mentais: o corpo em boa saúde e as emoções sob o necessário controle. Em suma, reafirmação do ideal helênico de Delfos: meden agan (??de? ??a?) – “nada em excesso”.

Afirmava na Ética a Eudêmio, VII, c. I, 1242 a, 23-26, e na Ética a Nicômaco, VIII, c. XIV, 1162 a, 17-27, que o homem era animal político por natureza; sustentava que o Estado tem raízes nos instintos do próprio homem. O melhor dos Estados seria uma politeia, regime intermediário entre a aristocracia e a democracia.

Esse período de civilização helênica não constituiu uma grande época científica. Além disso, não havia grande devotamento ao conforto material ou ao domínio do universo físico, tendo sido pequenos os progressos científicos.

Tales de Mileto (624-548 a.C.) parece ter sido o fundador da matemática grega. Muito mais significativo foi o trabalho dos pitagóricos, que elaboraram uma complexa teoria dos números em ímpares, pares, primos, compostos, perfeitos etc. Ficou famosa a descoberta do teorema atribuído ao próprio Pitágoras (século 6º a.C.): o quadrado da hipotenusa de qualquer triângulo retângulo é igual à soma dos quadrados dos catetos.

O filósofo Anaximandro (610-546 a.C.) foi o primeiro grego a interessar-se pela biologia, e desenvolveu uma rudimentar teoria da evolução orgânica. Mas o verdadeiro fundador dessa ciência foi Aristóteles, que se dedicou ao trabalhoso estudo da estrutura, dos hábitos e do crescimento dos animais. Assim foi que revelou inúmeros fatos que só seriam redescobertos muito mais tarde, como a metamorfose de vários insetos, os hábitos reprodutivos da enguia, o desenvolvimento embriológico do cação.

Empédocles (495/490-435/430 a. C.) iniciou os estudos da medicina expondo a teoria dos quatro elementos (terra, ar, fogo e água). Descobriu que o sangue flui do coração e volta a ele; os poros da pele suplementam os trabalhos das trocas respiratórias.

Mas o pai da medicina é considerado Hipócrates de Cós (460-377 a.C.). Doutrinava que toda a “doença tem uma causa natural, e sem causas naturais nada acontece”. Lançou os fundamentos da clínica médica e confiava muito mais no valor terapêutico da dieta e do repouso.

O meio mais comum da expressão literária é a narração épica dos feitos heróicos. Ilíada e Odisséia, atribuídas a Homero, que teria vivido no século 8º a.C., versam sobre a guerra de Tróia, tendo como tema, respectivamente, a ira de Aquiles e as peregrinações de Ulisses no seu retorno a Ítaca.. Seu mérito reside em seus enredos cuidadosamente tramados, no realismo com que são retratadas as suas personagens e no domínio da gama completa das emoções.

Com o surgimento da sociedade urbana, novas formas literárias surgiram, como a elegia, que variava desde as reações individuais ao amor até o idealismo dos patriotas e reformadores.

Aos poucos nasceu a poesia lírica, que se adaptava à expressão dos sentimentos apaixonados, dos amores e ódios violentos gerados pela luta de classes. Os versos de Píndaro (518-438 a.C.) tomaram a forma de odes em louvor às vitórias de atletas e às glórias da civilização helênica.

A tragédia foi a sua suprema realização literária, com base na religião. Nos festivais dedicados à adoração de Dionísio, deus da primavera e do vinho, um coro de homens vestidos de sátiro, ou homens-bode, cantava e dançava em torno de um altar, representando um coral lírico que narrava a história do deus.

O verdadeiro drama nasceu por volta do começo do século 5º, quando Ésquilo (525-456 a.C.) introduziu um segundo “ator” e relegou o coro a segundo plano. O nome tragédia, que vai ser aplicado a esse drama, proveio da palavra grega tragos, que quer dizer bode. Além de Ésquilo, Sófocles (496-406 a.C.), mais polido, personificou o ideal helênico do “nada em excesso”. Eurípedes (485-406 a.C.), chamado o mais trágico dos gregos, tratava de situações que apresentavam analogias na vida real. Aristófanes (447-385 a.C.) satirizava os ideais políticos e intelectuais da democracia radical de seu tempo, nas suas obras.

O pai da história foi Heródoto (485?-420 a.C.), que, em suas longas viagens, colheu grande quantidade de dados interessantes sobre vários povos. Seu relato sobre a grande guerra entre gregos e persas incluiu informações de fundo que quase parece uma história universal.

Tucídides (460-400 a.C.), no entanto, foi o pai da história científica, que preferiu trabalhar com base em provas cuidadosamente verificadas, rejeitando opiniões, lendas e boatos. Em História, que trata da guerra entre Esparta e Atenas, objetivava apresentar uma narrativa exata que pudesse ser lida com proveito pelos estadistas e generais de todas as épocas.

Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 2008.

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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas idéias de Giovanni Reale e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8. ed. Brescia: La Scuola, 1986).

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