Latim e Direito Constitucional

O florescimento do reinado de Salomão foi construído sobre a exploração de boa parte da população.
A burocracia estatal demandava um número respeitável de funcionários, altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais.

As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. O exército, recrutado entre o povo, não mais respeitando as tribos, precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência, e assim por diante.
Sendo a Palestina pobre de recursos, grande parte do material para os projetos de construção tinha de ser importada (1Rs 5, 22).

Ouro, prata, bronze e cedro eram comprados em tais quantidades que as rendas provenientes da taxação e dos impostos arrecadados do comércio não bastavam para pagá-los.

A fim de compensar o déficit, Salomão cedeu 20 cidades e recorreu ao sistema de trabalho obrigatório. A cada três meses, 30.000 hebreus eram recrutados e mandados à Fenícia, para trabalhar nas florestas e minas de Hiram I, rei de Tiro, de quem tinham sido comprados os mais caros materiais (1Rs 5, 27).

Como consequência disso, Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita, forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananeia à corvéia, trabalho grátis para o Estado, e usou o trabalho escravo em grande escala nas minas e fundições no sul do país (1Rs 9, 20-22).

A construção do templo em Jerusalém, servindo como santuário nacional e como capela real, transferia para o Estado todo o poder religioso (1Rs 6).

As extravagâncias e a grande opressão de Salomão produziram intenso descontentamento entre seus súditos (1Rs 12, 14). Sua morte, em 922 a.C., foi o sinal para revolta aberta, provocando o cisma, isto é, a separação das 12 tribos hebraicas em dois reinos, Israel e Judá (1Rs 12, 20-33).

As dez tribos do norte recusaram-se a submeter-se a seu filho Roboão, separaram-se e fundaram um reino à parte – seus habitantes eram mundanos e acostumados à vida urbana. Localizadas junto às encruzilhadas do comércio do Oriente Próximo, eram prósperas e impregnadas de influência estrangeira.

As duas tribos do sul compunham-se, na maioria, de pastores e lavradores, leais à religião de seus pais e odiando os hábitos de outros países. As do norte, reino de Israel, tinham sua capital em Samaria, enquanto o reino de Judá continuou a ter Jerusalém como capital.

Em 722 a.C., o reino de Israel foi conquistado pelos assírios, e seus habitantes ficaram dispersos através do vasto império dos conquistadores – daí terem sido chamados as 10 tribos perdidas de Israel.

O reino de Judá conseguiu sobreviver por mais de 100 anos, desafiando com sucesso a ameaça assíria, mas em 586 a.C. foi destruído por Nabucodonosor, e Jerusalém, saqueada e incendiada, teve seus cidadãos levados para a Babilônia.

A libertação só veio em 539 a.C., quando os persas conquistaram o império babilônico e permitiram a volta dos hebreus para a Palestina.

Em 332 a.C., a Palestina foi dominada por Alexandre Magno, da Macedônia. Em 63 a.C., Pompeu conquistou Jerusalém. Em 70 d.C., os romanos destruíram o templo de Jerusalém, provocando a revolta dos hebreus.

O movimento foi reprimido, e os hebreus foram expulsos da Palestina, ocasionando a sua dispersão pelo mundo, conhecida como a diáspora.

Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2007.

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