Latim e Direito Constitucional

A segunda das mais antigas civilizações ocidentais começou por volta de 3500 a.C. Era chamada de babilônia ou babilônico-assíria. Hoje se sabe que fora fundada por um povo anterior, os sumérios. Toda ela é designada como mesopotâmica.

Ao contrário do Nilo, o Tigre e o Eufrates (Gn 2, 14) apresentavam cheias irregulares, razão por que a natureza não era encarada com confiança.

Além disso, os mesopotâmios não estavam protegidos de incursões por parte de estrangeiros. Sua vida era muito mais combativa, à proporção que o predomínio de um povo sucedia ao de outro.

No tempo em que o nativo do Egito acreditava na imortalidade da alma, seus contemporâneos mesopotâmios viviam no presente e olhavam com indiferença seu destino no além-túmulo. Sem monoteísmo, concebiam suas divindades mais em termos de medo do que de amor. E a sua arte era mais violenta e menos pessoal do que a egípcia.

Os pioneiros dessa civilização foram os sumérios. Desde 2800 até 2340 a.C., floresceram várias de suas cidades-Estado, como Ur e Lagash.

Sua revivescência foi interrompida pelos acadianos e depois pelos amorreus, que conquistaram as cidades sumérias e estabeleceram um novo império na região. Por haverem transformado a povoação da Babilônia na capital do seu império, foram chamados de antigos babilônios, para distingui-los dos neobabilônios ou caldeus, que ocuparam os vales do Tigre e do Eufrates muito mais tarde.

Fazendo uma comparação da história geral com a das religiões, de acordo com os relatos bíblicos, nessa mesma época, cerca de 1.850 anos a C., Abrão chegou a Canaã (Gn 12).

Os babilônios estabeleceram um estado autocrático e, durante o reinado de Hamurábi (1792-1750 a.C.), estenderam o seu domínio até a Assíria. Depois entraram em decadência, até que, em 1550 a.C., seu império foi derrubado pelos cassitas.

Bárbaros, sem interesse pelas realizações culturais, os cassitas foram dominados pelos assírios, cuja ascensão ao poder marcou o terceiro estádio no desenvolvimento da civilização mesopotâmica.

Expandiram-se por volta de 1300 a.C. e logo se fizeram senhores de todo o vale do norte. Seu império alcançou o fastígio nos séculos 8º e 7º a.C, sob Sargão II (732-705 a.C.) e Senaquerib (705-681 a.C.), que construíram Nínive, uma resplandecente nova capital à margem do Tigre.

Abrangia quase todo o Oriente Próximo, pois haviam conquistado a Síria, a Fenícia, o reino de Israel e o Egito. Somente o pequeno reino de Judá foi capaz de resistir às hostes assírias, provavelmente devido ao surto de peste nas fileiras do exército de Senaquerib, chamado nos textos bíblicos (2Rs 19, 35) como uma visita mortífera do anjo do Senhor.

Nesse período, reinava em Judá o rei Ezequias, época do ministério do profeta Isaías (Is 20). Senaquerib invadiu a Judéia e recebeu tributo de Ezequias (2Rs 18, 13-16).

Ainda que brilhantes, os êxitos dos assírios não perduraram muito. Os novos territórios foram tão rapidamente anexados que o império atingiu um tamanho impossível de ser governado.

Sob o comando de Nabopolasar (636-605 a.C.), os caldeus organizaram uma revolta e capturaram Nínive em 612 a.C. Nabucodonosor II (605-652 a.C.) conquistou Judá e fez de sua capital, Babilônia, a principal cidade do Oriente Próximo.

Na história bíblica, nessa época fora descoberto o livro da lei (2Rs 22-25), com a consequente reforma religiosa, sendo reis Josias, Joacaz e Joaquim (2Rs 24, 1; 2Rs 24, 2; 2Cr 36, 6; Jr 25, 1.11; Dn 1, 1; Ez 1-27).

Em 539 a.C. ruiu o império dos caldeus. Ciro, o persa, sem batalha e sem luta, o derrubou, com o auxílio dos judeus, então cativos na Babilônia.

Conforme a lição dos historiadores Philip Lee Ralph, Robert E. Lerner e Standish Meacham (World Civilizations, Their History and Their Culture, p. 39. Paperback – Jan. 1997), a queda da Caldéia deve ser vista como o fim da história política mesopotâmica.

Rio de Janeiro, 04 de novembro de 2007.

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