Latim e Direito Constitucional

A filosofia do antigo Egito era especialmente ética e política. Nenhum autor egípcio poderia ser classificado como um autêntico filósofo. Eles tratavam basicamente de religião e de questões de conduta individual e justiça social.

A astronomia, a matemática e a medicina desenvolveram-se com fins práticos: para prever a época das inundações do Nilo, com finalidades arquitetônicas e para curar os doentes.

A arte egípcia exprimia as aspirações de uma vida nacional coletivizada. Não era arte pela arte. Tanto no antigo como no médio reino e também no império, os problemas de edificação absorveram o talento dos artistas.

Exemplos da arquitetura foram as pirâmides. O historiador grego Heródoto (485?-120 a.C.) estimava que tivessem sido empregados 100.000 trabalhadores, durante 20 anos, para completar apenas a pirâmide de Khufu (Quéops), em Gizé, construída para ser a tumba do faraó Quéops, da quarta dinastia, cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 a.C.

Com um certo significado religioso para os que ordenaram sua construção, elas destinavam-se a servir de túmulo dos divinos faraós. Mas como ele representava o Estado, elas assumiam provavelmente significado político.

Durante o médio reino e o império predominou a preocupação pela salvação pessoal. Aí o templo tomou o lugar da pirâmide como a principal forma arquitetônica. Exemplos famosos foram os de Karnak e Luxor.

A escultura e a pintura eram auxiliares da arquitetura. O exemplo mais conhecido é a grande esfinge de Gizé, que mostrava a cabeça do faraó sobre o corpo de um leão, para simbolizar a ideia de que o faraó possuía as qualidades leoninas de força e coragem. Igualmente expressava a vida nacional estável e imune ao tempo.

Na sua vida social e econômica, a população estava dividida em classes: família real, sacerdotes, nobres, escribas, mercadores, artífices, agricultores abastados, camponeses e soldados profissionais. Milhares de escravos foram capturados, viviam desprezados por todos e forçados a trabalhar em pedreiras do governo e nas terras pertencentes aos templos.

Grande era o abismo que separava a vida das classes superiores e inferiores. Os nobres abastados vivam em esplêndidas residências, enquanto a vida dos pobres era das mais miseráveis.

O sistema econômico repousava numa base agrícola. A agricultura era diversificada e bastante desenvolvida, com produção de trigo, cevada, painço, legumes, frutas, linho e algodão.

O comércio, depois de 2000 a.C., adquiriu grande importância, relacionando-se com a ilha de Creta, a Fenícia, a Palestina e a Síria. Exportavam ouro, trigo, tecidos de linho e cerâmica fina. Importavam, de modo geral, prata, marfim e madeira.

O sistema econômico egípcio sempre foi coletivista. As atividades produtivas da nação inteira giravam em torno das imensas empresas do Estado. O governo era o maior empregador de mão-de-obra. Apesar disso, havia largo campo aberto à iniciativa privada. Os mercadores dirigiam pessoalmente os seus negócios, e muitos artífices tinham lojas próprias.

Com a fundação do império aconteceu o mais alto desenvolvimento do controle estatal. À medida que ele marchava para a ruína, o governo absorvia cada vez mais as atividades econômicas do povo.

Sem dúvida alguma, muito importantes foram as realizações da civilização egípcia. Elementos da matemática e da ciência, as técnicas de irrigação, engenharia, fabrico de cerâmica e vidro, concepção clara da arte e princípios arquitetônicos tiveram seu nascedouro no vale do Nilo.

Também notáveis as suas concepções religiosas e morais. Erigiram uma religião nacional em torno da doutrina da imortalidade da alma e da ideia de recompensa e punições após a morte. Além disso, a experiência de Ikhnaton com o culto de Áton foi o primeiro exemplo de monoteísmo universal na história das religiões.

De acordo com os historiadores Philip Lee Ralph, Robert E. Lerner e Standish Meacham (World Civilizations, Their History and Their Culture. p. 36. Paperback – Jan. 1997), a civilização egípcia ergue-se como monumento estável e sempre fascinante das conquistas humanas na aurora da história escrita.

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2007.

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