Latim e Direito Constitucional

Os museus recebem multidões que ficam fascinadas pela magia dos tesouros da arte egípcia, uma das mais antigas da história da civilização ocidental.

Sua marca era o senso da estabilidade proporcionado pelo vale do Nilo, que, com sua cheia regular, dava aos egípcios a sensação de que a natureza era previsível e benigna. Heródoto, historiador grego (485?- 425 a.C.), já dizia que o Egito era “a dádiva do Nilo”.

O antigo reino (de 3100 a 2200 a.C.) governou o país numa única unidade. Filho do deus sol, o faraó só podia casar-se com uma de suas irmãs, para que o sangue divino não se contaminasse.

Sua política era da paz e de não-agressão. Os egípcios contentavam-se em seguir o seu destino e deixar as demais nações em paz, isso em consequência da fertilidade inesgotável de sua terra.

Essa prosperidade chegou ao fim por volta de 2200 a.C., quando surgiu a conhecida primeira era intermediária, visto que as receitas governamentais tinham se exaurido na execução de projetos grandiosos, como a construção das pirâmides. Os súditos foram arrastados a trabalhos forçados, agravou-se o banditismo interno, assim como a invasão de tribos do deserto.

Com o aparecimento da XI dinastia, que restaurou o governo centralizado, seguiu-se a fase do médio reino, com mais responsabilidade.

De 1990 a 1786 a.C., a XII dinastia exerceu um governo forte, mediante uma aliança com a classe média, composta de funcionários, mercadores, artífices e agricultores. Essa aliança controlou a nobreza e assentou os alicerces de uma prosperidade sem precedentes. Período em que houve justiça social e desenvolvimento intelectual.

Projetos de drenagem e irrigação substituíram a construção de pirâmides, que não tinham utilidade prática. A religião foi democratizada, dando relevo a uma conduta moral, não mais um ritual dependente da riqueza. Época áurea do Egito.

A segunda era intermediária (de 1786 a 1575 a.C.) foi de caos interno e de ocupações estrangeiras. O país foi invadido pelos hicsos, uma horda heterogênea originária da Ásia ocidental. Usando cavalos e carros de guerra, eles familiarizaram os egípcios com novos métodos de combate, mas também os fizeram esquecer as suas divergências e unirem-se numa causa comum.

Em 1575 a.C., Amósis, fundador da XVIII dinastia, expulsou os invasores. Herói dessa vitória, tornou-se o déspota do Egito. Seu regime foi mais fortemente consolidado do que qualquer outro até então.

De 1575 a 1087 a.C., o período que se seguiu à ascensão de Amósis foi denominado império, sendo o país governado por três sucessivas dinastias de faraós: a XVIII, a XIX e a XX.

A política dominante não era mais pacífica e isolacionista. Um espírito de agressivo imperialismo rapidamente perverteu a nação, depois dessa bem-sucedida campanha militar contra os hicsos.

Os sucessores imediatos de Amósis realizaram incursões profundas pela Palestina e reclamaram soberania sobre a Síria. Com um dos maiores exércitos dos tempos antigos, os novos faraós tornaram-se senhores de um vasto domínio, que se estendia desde o Eufrates às mais longínquas cataratas do Nilo.

Por não terem conseguido converter os povos conquistados em súditos leais, a debilidade foi o sinal para a revolta que se alastrou pela Síria. Haviam sido anexados mais territórios do que era possível administrar eficazmente.

O afluxo de riquezas para o Egito tinha enfraquecido a fibra nacional, ao fomentar o culto da riqueza e do luxo. As constantes revoltas dos vencidos acabaram por solapar a força do estado além de toda a esperança do restabelecimento. Por volta do século 12 a.C., a maioria das províncias conquistadas tinha sido perdida para sempre.

Semelhante ao do antigo reino, o governo do império era mais absoluto, tendo sempre a postos um exército profissional, para submeter os súditos.

Ramsés III, que governou de 1182 a 1151 a.C., foi o último dos grandes faraós. Seus sucessores não lhe herdaram a capacidade, e o Egito tornou-se presa de numerosos infortúnios decorrentes da invasão de bárbaros e da decadência social.

Conforme os historiadores Philip Lee Ralph, Robert E. Lerner e Standish Meacham (World Civilizations, Their History and Their Culture, p. 25. Paperback – Jan. 1997), em 525 a.C. o país estava condenado a um fim prematuro, conquistado pelos persas. A antiga civilização nunca mais reviveu.

Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2007.

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