Latim e Direito Constitucional

As primeiras civilizações datam de mais ou menos 3500 anos a.C. Trata-se de uma fase no desenvolvimento histórico humano em que a escrita é utilizada em grau considerável, em que houve algum progresso nas artes e nas ciências e em que as instituições políticas, sociais e econômicas se desenvolveram suficientemente, para resolver alguns dos problemas de ordem, segurança e eficiência com que se defronta uma sociedade complexa.

As causas para o seu aparecimento parecem estar ligadas à geografia.

Ellsworth Huntington (Civilization and climate. New Haven, CT: Yale University Press, 1915. p. 220-223) descreveu o clima ideal como aquele em que a temperatura média raramente cai abaixo de 4°C ou se eleva acima de 18°C.

Sem dúvida, existem algumas zonas do planeta que jamais poderiam ter sido berço de uma cultura superior. Muito quentes ou muito úmidas, muito frias ou muito secas, é o caso das grandes áreas desérticas e das florestas pluviais existentes em várias regiões do globo.

A civilização dos maias é um testemunho da importância cultural das relações climáticas.

Ela floresceu na península de Iucatã, no México, entre os anos 400 e 1500 da nossa era. Entre muitas das suas conquistas figuram a fabricação do papel, a invenção do zero, o aperfeiçoamento de um calendário solar e o desenvolvimento de um sistema de escrita parcialmente fonética.

Grandes cidades foram construídas, realizaram-se notáveis progressos na astronomia, a escultura e a arquitetura alcançaram níveis elevados. Hoje, quase tudo o que resta dessa civilização está em ruínas.

Não há dúvida de que tenha havido guerras mortíferas entre as tribos, mas a alteração climática desempenhou o seu papel. O que resta das suas grandes cidades está hoje rodeado por selvas, onde grassa a malária e a agricultura é difícil. Essa civilização maia ou qualquer outra dificilmente teria alcançado a maturidade nas condições atuais.

Outra teoria, a da exaustão do solo, relaciona-se à hipótese climática. Talvez esta seja uma explicação plausível para a decadência e o colapso dos grandes impérios do passado.

Os historiadores julgam que qualquer meio não estragado pelo homem é capaz de servir de berço a uma grande cultura (Edwards Burns, Philip Lee Ralph, Robert E. Lerner, Standish Meacham. World Civilizations, Their History and Their Culture. Paperback – Jan. 1997. p. 15).

Os grandes desertos e as áreas estéreis do globo não são naturais, mas artificiais, criadas por práticas pastoris e agrícolas deletérias.

As presentes civilizações que floresceram no passado foram condenadas pelo fato de que o solo deixou de ser capaz de proporcionar alimentos suficientes para a população. Toda a nação incorrera na culpa de explorar as florestas, minerar o solo e pastorear rebanhos na terra a ponto de as ervas serem devoradas até às raízes.

Arnold Joseph Toynbee (1889-1975), em sua obra A Study of History (Oxford University Press, 1934), ao examinar o processo de nascimento, crescimento e queda das civilizações sob uma perspectiva global, propôs a teoria da adversidade como causa real que propiciou a existência de culturas superiores, um desafio que tanto estimulou os homens a superá-las como gerou energias adicionais para novas realizações. Assim agiram os hebreus, os árabes e os índios andinos. De modo geral, é verdadeiro que quanto maior o desafio maior se torna a realização.

Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2007.

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