Latim e Direito Constitucional

Alderico,

Saúde,


Com relação à nossa conversa telefônica de alguns dias atrás, em que você se admirava de eu nunca citar os filósofos atuais, tenho a dizer-lhe o seguinte:

1. Recentemente li o 3º volume do livro “Curso de Filosofia” de Battista Mondin, cujo título em italiano é “I Filosofi dell’Occidente” – Paulinas.

Aí desfilam os filósofos contemporâneos: Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault (estruturalistas) Ernst Bloch, Roger Garaudy, Jürgen Habermas (marxistas revisionistas) Karl Popper, Gaston Bachelard (epistemólogos).

2. A história da filosofia deixa-nos uma impressão desanimadora. Uma multidão de sistemas aparecem, combatem entre si e destroem-se mutuamente no choque das contradições.

Mas adoro esse estudo, pois me convenço que o estudante de filosofia deve escolher uma escola e, a partir dessa escola, estudar o pensamento dos demais pensadores. Essa mistura de idealismo, positivismo, existencialismo e pragmatismo cai fatalmente no ceticismo.

Por outro lado, a gente vê que a filosofia não é trabalho de um só homem. É obra de todos os séculos, em cuja construção trabalha todo o gênero humano em busca da verdade.

3. A filosofia a que aderi é a escola neotomista. Ou seja, o pensamento de Aristóteles, batizado por Tomás de Aquino com os dados bíblicos da Revelação cristã, buscados principalmente na filosofia patrística de Agostinho de Hipona.

4. Seguindo o pensamento do Pe. Leonel Franca, in Noções de História da Filosofia, pág. 86, 20ª edição, Agir, 1969, a grande síntese que me orienta é a seguinte: Em lógica, os ensinamentos de Aristóteles. Em criteriologia, a existência da certeza e a objetividade do conhecimento. Em ontologia, o individualismo acentuado, construído sobre as noções aristotélicas de ato e potência, substância e acidente. Em cosmologia, a composição substancial dos seres. Em psicologia, o espiritualismo moderado, unidade, substancialidade e espiritualidade da alma, a distinção entre conhecimento sensitivo e o intelectual, origem sensitiva das idéias, livre arbítrio etc. Em teodicéia, transcendência e personalidade de Deus, Criador e Providência. Em ética, o fim do homem é a felicidade e a felicidade é a posse do bem infinito, o homem é animal social, existência da lei natural e do direito natural.

Essa a filosofia da escola a que pertenço, ou seja o neotomismo. Fidelidade não tanto à letra mas ao espírito de Tomás de Aquino, repensando as questões modernas em função de sua problemática atual.

5. Anexos o programa e a linha de pensamento da Universidade de Lovaine, Centro do neotomismo mundial.

Atenciosamente,

Rio, 16/03/1990 Máriton Silva Lima

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