Latim e Direito Constitucional

Alderico,

Saúde!

Mais uma vez lhe agradeço o presente desse excelente livro, que trata de uma espiritualiadade laica.

Comecei a leitura com a preocupação de localizar o erro básico na filosofia de Luc Ferry, encontrado por você.

Acontece que fiquei tão fascinado pelas suas belas páginas, que me desliguei de achar o lapso dele.

Lembrei-me do meu velho mestre do curso de filosofia, em Fortaleza, que batia na tecla de conhecer bem as bases do manual do velho Gredt, para poder, posteriormente, ler qualquer assunto ligado ao mundo do pensamento.

Foi assim que passeei com ele pelas ideias de Buda, Platão, Aristóteles, Epicuro, estoicos, Sêneca, Lucrécio, Agostinho, Pico, Descartes, Spinoza, Hume, Rousseau, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauser, Nietzsche, Darwin, Heidegger e tantos outros. 

Fiquei encantado com a comparação da ética aristotélica, em que ninguém trabalhava, com a parábola dos talentos, na qual o empresário deixa várias moedas com seus empregados e, na sua volta, cobra deles o resultado do seu trabalho. Nunca tinha pensado nisso. Sempre me lembrava da 2Ts, 3, 10 como a regra de outro do trabalho cristão. Fantástico.

Adorei mesmo foi reencontrar Gilgamesh, meu velho conhecido das aulas de exegese, em Viamão, em que foi analisada a tabuinha XI dessa epopeia, relativamente ao dilúvio narrado no livro do Gênesis.

Mas o interesane é que o autor, depois de contar a história do rei de Uruk, delicia-se com os relatos do encontro com Enkidu, a morte do monstro Huwawa, o encontro da árvore da vida, cuja planta é roubada pela serpente e traz o herói para os nossos dias e dialoga com ele.

Não posso deixar de mencionar o que se teria dito ao velho Hugo, dos Miseráveis, sobre as novidades tecnológicas do nosso tempo: o ensino e a medicina gratuitos (na França, eu acho), televisão, aviões, liberdade de imprensa e tantas outras coisas, que “certamente ele teria morrido de rir” (pág. 349).

Essa busca pelo amor – espiritualidade laica – me tocou muito, pois mais vale a pena se arriscar para defender aqueles que amamos, uma vez que “hoje, no Ocidente, ninguém arrisca a própria vida para defender um deus, uma pátria ou um ideal de revolução”.

Excelente sob todos os aspectos.

Messalina irá gostar de ler.

Abraços.

Máriton

 

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