Enquanto o Império Romano
era conquistado pelo cristianismo por dentro, os bárbaros germânicos
o ameaçavam por fora. No fim do século 5º, os germanos
conquistaram todo o ocidente romano, em territórios antes governados
por César e Augusto.
Bárbaros, por não viverem em cidades e serem analfabetos,
os povos germânicos praticavam a agricultura e dedicavam-se ao
fabrico de instrumentos e armas de ferro.
Com a morte de Teodósio, o Grande (Flavius Theodosius –
346-395), o Império Romano foi dividido entre os seus dois incompetentes
filhos. Assim, ambas as partes do império foram debilitadas por
intrigas políticas.
Os visigodos aproveitaram-se dessa situação e saquearam
Roma em 455. Controlando o Mediterrâneo central, usaram a África
como base e, aproveitando-se do fato de um simples menino, Augústulo
(Flavius Romulus Augustus – 461-476), ser o ineficaz titular do
império, o depuseram. O chefe de um grupo de germanos assumiu
o título de rei de Roma. Assim, 476 ficou convencionado como
a data do fim do Império Romano do Ocidente.
Tudo isso aconteceu porque os exércitos romanos estavam exauridos,
por causa do declínio da população e da necessidade
de mão-de-obra em outras ocupações, sobretudo nas
novas burocracias. Os germanos venciam por ausência de contendores.
À medida que o Império Romano do Ocidente desaparecia,
o do Oriente permanecia, porque era muito mais rico – e sobreviveu.
Cidades como Constantinopla, Antioquia e Alexandria eram metrópoles
ativas e fervilhantes, devido ao comércio e à indústria.
Roma afundava e Constantinopla mantinha-se à tona.
Por volta do ano 500, o mapa da Europa continental tinha várias
divisões políticas. Tribos germânicas de anglo-saxões
ocuparam o canal da Mancha e estavam ampliando seu domínio na
ilha da Britânia. Na parte setentrional da Gália, em torno
de Paris e a leste do Reno, os francos eram governados por Clóvis
I (481-511), astucioso guerreiro e rei de todos os francos. Ao sul do
território dos francos viviam os visigodos. Dominando o noroeste
da África, encontravam-se os vândalos. Por toda a Itália
mandavam os ostrogodos, parentes orientais dos visigodos.
Teodorico, o Grande (Flavius Theodoricus – 454-526), que reinou
na Itália de 493 a 526, era grande admirador da civilização
romana, a qual tentou preservar de todas as formas. Promoveu a agricultura
e o comércio, consertou edifícios e estradas, patrocinou
a educação e seguiu uma política de tolerância
religiosa. Deu à Itália um governo mais esclarecido do
que o dos primeiros imperadores do país.
Teodorico e seus ostrogodos eram cristãos arianos, enquanto os
bispos locais e a população nativa eram católicos.
Embora tolerante e benigno, o seu governo era visto com certa hostilidade.
Os governantes romanos de Constantinopla também lhes eram hostis,
em razão do fato de Teodorico ser um ariano e porque não
haviam renunciado à esperança de reconquistarem a Itália
eles próprios.
Todas essas circunstâncias levaram ao desaparecimento do reino
ostrogodo de Teodorico algum tempo depois da sua morte. Na verdade,
com exceção do franco, nenhum dos reinos bárbaros
continentais haveria de durar muito.
Rio de Janeiro, 22 de junho de 2008.
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N. do A. – Foram utilizadas aqui algumas ideias de Giovanni Reale
e Dario Antiseri (Il pensiero occidentale dalle origini ad oggi. 8.
ed. Brescia: La Scuola, 1986).