Os saduceus eram um grupo proeminente
na Palestina entre os séculos 2º a.C. e 1º d.C.
Alguns acreditam que a origem da palavra venha do hebraico saddiquim,
que significa “íntegro”, ou que ela seja derivada
de Sadoc, nome do mais importante sacerdote durante o reinado de Davi
(1Rs 1, 26).
Organizaram-se no período da dinastia asmoneia, momento de prosperidade
política e econômica. Era um grupo formado pela elite,
proveniente das famílias da alta hierarquia sacerdotal. Certamente
menor, mas mais influente que o dos fariseus, pois a sua influência
era sentida sobretudo entre os grupos governantes ricos.
Seguiam somente as leis escritas presentes na bíblia hebraica
(Torá) e rejeitavam as tradições mais novas. Não
acreditavam em vida depois da morte (Mc 12, 18-27; Lc 20, 27-38) nem
em anjos e espíritos (At 23, 8). Possuíam um papel preponderante
no sinédrio e controlavam as atividades e riquezas do templo
(At 4, 1; 5, 17; 23, 6).
Os essênios formavam um grupo minoritário organizado como
uma comunidade monástica em Qumran, área localizada perto
do mar Morto, desde o século 2º a.C. até o século
1º d.C., quando, em 68, foram eliminados pelos romanos.
Alguns acham que o nome essênio deriva do grego hosios, santo,
ou isos, ou ainda do hebraico hasidim, piedoso. Não há
consenso. Talvez a sua origem esteja associada à era macabeia,
quando um grupo, liderado por um sacerdote, teria fundado a comunidade.
Eles rejeitavam a validez da adoração do templo, recusavam-se
a assistir aos festivais ou apoiar o templo de Jerusalém. Consideravam
ilegítimos os sacerdotes de Jerusalém, desde que não
fossem sacerdotes de Sadoc – ou seja, seus descendentes –,
do qual eles próprios se julgavam oriundos.
Viviam em regime comunitário, com exigências rígidas,
regras e rituais. Provavelmente praticavam o celibato. Esperavam que
Deus enviasse um grande profeta e dois messias diferentes, um rei e
um sacerdote. Seu objetivo era manter-se puros e observar a lei. Praticavam
um culto espiritualizado e sem sacrifícios e possuíam
uma teologia de caráter escatológico. A prática
do batismo por imersão periódica era uma forma de purificação.
Interpretavam a lei de forma literal e produziram textos considerados
posteriormente apócrifos, como a regra da comunidade.
Apesar de não mencionados no Novo Testamento, alguns estudiosos
acham que João Batista e o próprio Jesus estavam associados
a esse grupo.
Alguns historiadores os descrevem. Entre eles Filo Alexandrino (Quod
omnis probus líber sit, XII-XIII, 75-91), Josefo (Bellum Judaicum,
II, 119-161) e Plínio, o Velho (Naturalis Historia, v. 15,73).
Os herodianos formaram a facção que apoiou a política
e o governo de sua família durante o reinado de Herodes Antipas,
tetrarca da Galileia e Pereia na época das vidas de João
Batista e de Jesus.
São mencionados em Mc 3, 6, ao conspirarem com os fariseus para
matar Jesus, quando este iniciava o seu ministério na Galileia.
Igualmente em Mc 12, 13-17 e em Mt 22, 16, novamente unidos, tentando
apanhar Jesus com pergunta sobre o pagamento de impostos a César.
Com o efetivo domínio romano, esta seita desapareceu.
Os zelotes eram um grupo religioso com caráter militarista e
revolucionário, organizado no século 1º d.C., opondo-se
à ocupação romana, e também conhecidos como
sicários, devido ao punhal que levavam escondido e com o qual
atacavam os inimigos.
Eles provinham das camadas mais pobres da sociedade e, inicialmente,
foram confundidos com ladrões.
Recusavam-se a reconhecer o domínio romano, respeitavam o templo
e a lei, bem como se opunham ao helenismo. Professavam um messianismo
radical e só acreditavam em um governo teocrático, ocupado
por judeus. Viam na luta armada o único caminho para enfrentar
os inimigos e acelerar a instauração do reino de Deus.
Um dos discípulos de Jesus é chamado de Simão,
o zelote, em Lc 6, 15 e At 1, 13. É possível que o sentido
mais provável, no seu caso, seja de zeloso, na sua acepção
mais antiga.
Existiam outros grupos político-religiosos que participavam do
cenário religioso judaico do século 1º: os levitas,
que formavam o clero do templo de Jerusalém e eram os responsáveis
pelos sacrifícios e pelos cultos; os escribas, hábeis
conhecedores e comentadores da lei; os movimentos batistas, seitas populares
que mantinham as práticas do batismo de João Batista –
entre outros.
Rio de Janeiro, 18 de maio de 2008.