Para substituir Saul não
ficara ninguém válido, a não ser seu último
filho, Isbaal (2Sm 2 8-11). Abner refugiou-se com ele em Mohanaim, na
Transjordânia, e de lá pretendeu que fosse dada continuidade
ao governo de Saul, através do fraco Isbaal. Pura pretensão.
Segundo fontes bíblicas, dois anos mais tarde Isbaal é
assassinado, e, através de manobras políticas, Davi é
também aclamado rei da região norte do território
por todo o povo (2Sm 5, 1-5). Com o incentivo de Samuel, ele executou
habilidosas manobras para solapar o apoio popular ao rei. Lançando
suas próprias campanhas militares, conseguiu sangrentos triunfos,
um após o outro.
Aclamado rei da região norte do território por todo o
povo (2Sm 5, 1-5), Davi tornou-se rei e governou por 40 anos. Seu reinado
foi um dos mais gloriosos períodos da história hebraica.
Bateu em toda a linha os filisteus e reduziu o território destes
a uma estreita faixa da costa no sul.
Uniu as 12 tribos num Estado único, sob um monarca absoluto,
e começou a construção de uma magnífica
capital em Jerusalém.
Competia a Davi vencer os filisteus, e acabou de vez com suas ameaças.
Ele não se fez de rogado. Os filisteus atacaram repetidamente
e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de
Israel e tornaram-se seus vassalos (2Sm 5, 17-25).
Construiu na verdade um grande reino: submeteu Amon, Moab, Edom, os
arameus etc. Todos os reis da região, e até o Eufrates,
pagavam-lhe tributos (2Sm 10, 15-19).
O Estado funcionava de maneira austera e modesta, mantendo uma administração
baseada no respeito às instituições tribais e alguns
funcionários (2Sm 8, 15-18).
Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias
tribos, de sua guarda pessoal – seus homens de confiança
desde os tempos da clandestinidade – e de mercenários estrangeiros,
como os cereteus e feleteus.
Os países dominados pagavam tributo, instituiu-se a corvéia
– estrangeiros obrigados a trabalhar gratuitamente nos projetos
do Estado –, e Davi não interferiu na administração
da justiça tribal.
Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança (2Sm 6), nomeou
os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto, procurando
assim manter o consenso da população ao redor da nova
instituição.
Mas o governo forte, a glória militar e o esplendor material
não deixavam de ter seus percalços para o povo. Suas consequências
inevitáveis eram a tributação pesada e a conscrição.
Em resultado disso, antes da morte de Davi, ouviam-se em certas partes
do reino francos murmúrios de descontentamento.
Apesar de tudo isso, Davi enfrentou tensões surgidas entre a
antiga e a nova ordem: por exemplo, o recenseamento (com fins fiscais
e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas
(2Sm 24), e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito
o seu prestígio.
Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2007.