Na ética cristã de nossos dias não podem faltar
algumas colunas mestras indispensáveis nesse edifício.
A Sagrada Escritura ajuda na compreensão e na realização
dos projetos que Deus tem em relação à humanidade.
O Antigo Testamento nos aponta a Aliança de Deus com Israel,
seu povo (Gn 6, 18; 15; 17; Ex 19, 1 +). O Novo Testamento sublinha
o Reino de Deus, aberto a todos os povos, constituindo-se no centro
da mensagem de Jesus (Mt 3,2; 4, 17).
O termo Aliança ocorre 286 vezes no Antigo Testamento. Trata-se
da iniciativa livre e gratuita de Deus, que revela o plano de salvação
para o seu povo. Esse plano tem um caráter religioso e político-social.
Deus lança o povo a caminho.
A religião busca revigorá-la no compromisso de construir
uma vida de sociedade fraterna e justa, sem discriminações.
Os órfãos, as viúvas e os estrangeiros têm
predileção. Ninguém é excluído. Respeitar
o direito e a justiça é o programa político-social.
Diante das rupturas freqüentes da Aliança, os profetas denunciam
os abusos e clamam por conversão. Deus, paciente e rico em misericórdia,
convida o seu povo a escolher a vida. Os dez mandamentos (Ex 20, 1)
e as alianças com Noé (Gn 6, 18), Abraão (Gn 15;
17) e a do Sinai (Ex 19, 1.2) apontam para o compromisso de vida a ser
assumido pelo povo de Deus.
O termo Reino de Deus acontece 123 vezes no Novo Testamento. Trata-se
do coração do anúncio de Jesus. Aponta para a proposta
das bem-aventuranças. Jesus dirige-se aos pobres, aos opositores
e aos seguidores, indicando o amor, a justiça e a fidelidade
como o coração do seu Evangelho (Mt 23,23). Seguir a Jesus
constitui-se no elemento central para a nossa vida cristã.
Imprescindível para a moral é a consciência. Ela
é um julgamento prático proferido pela inteligência
sobre a honestidade ou desonestidade de cada um dos nossos atos; é
um testemunho que, pronunciado no íntimo de cada pessoa, distingue
entre o bem e o mal moral e tende a levar cada qual a praticar o bem
e evitar o mal. Ela é o fundamento da própria dignidade
humana e, por isso, precisa ser bem formada numa educação
que leva cada pessoa a uma opção fundamental de vida baseada
no amor, na bondade, na justiça, sendo uma opção
para Deus.
Essa consciência precisa ser apoiada por um bom discernimento
moral, para analisar as situações concretas, iluminadas
pela fé, abrindo-se à palavra da Sagrada Escritura, ouvindo
a Tradição e o Magistério da Igreja, prestando
atenção às normas morais.
O discernimento moral costuma identificar os valores que dão
solidez às ações. Eles orientam a preferência
básica de vida e iluminam as escolhas que nela se realizam e
que se traduzem em múltiplas ações. Em Jesus Cristo
temos tudo plenamente (Cl 2 10), sendo Ele o valor supremo a ser buscado,
pois somos filhos da luz (Ef 5, 8).
A ética cristã, fundada na Sagrada Escritura, concebe
o ser humano como uma unidade totalizada ou uma unidade vivente. A visão
só pode ser integral, pois Deus solicita o ser humano por inteiro;
ele é um ser que tem corpo, conhece, quer, ama, fala, vive em
sociedade, é um ser culto, ele se diverte, trabalha e é
religioso.
P.S.: artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias–MA),
em 12/11/2006.