Desde Platão distinguem-se quatro virtudes morais ou cardeais.
Na sua ética ele dizia que a virtude própria dos filósofos
é a sabedoria, a dos guerreiros, a coragem, a dos operários,
a temperança, a de todos, a justiça.
Prudência é a reta noção daquilo que se deve
fazer, ou, no dizer de Tomás de Aquino (1221-1274), “recta
ratio agibilium” (S.th. II-II 57, 4 e II-II 47, 5 arg 3).
O seu objeto é o agir humano (agibile), para distingui-la da
arte, cujo objeto são as coisas que se produzem (factibile).
É virtude da razão, pela qual o homem sabe o que é
preciso fazer ou evitar. Nossa inteligência tem que ser iluminada
para escolher os meios adequados que levam à meta proposta.
Pela prudência privada cada um dirige a si mesmo. A prudência
pública é a do chefe e serve para o governo da sociedade.
Justiça é a vontade firme e constante de respeitar todos
os direitos e de cumprir todos os deveres, ou, no dizer de Tomás
de Aquino, “habitus secumdum quem aliquis [...] ius suum unicuique
tribuit” (S.th. II-II 58, 1). Não há virtude mais
alta, pois todos os atos honestos procedem da disposição
de dar a cada um o que é seu. Por esta virtude é que os
homens estão reunidos em sociedade e participam de uma vida comum.
É a justiça geral, legal ou social que faz com que o homem
obedeça à lei, a qual ordena os atos de todas as virtudes
ao bem comum da sociedade. A justiça particular divide-se em
comutativa e distributiva. A comutativa regula as relações
entre pessoas privadas e consiste em dar a cada um o que é seu;
a distributiva vê as relações entre a sociedade
e cada um de seus membros.
Fortaleza é uma firmeza da alma contra tudo o que a molesta neste
mundo – virtude que faz vencer as dificuldades e os perigos que
excedem a medida comum e sofrer com paciência as penas mais pesadas.
A verdadeira fortaleza não consiste em não temer coisa
alguma e em se atrever a tudo, senão em temer com prudência
e em ousar sem temeridade: se preciso, ele sabe ir ao encontro de uma
morte certa, mas evita sem apreensão todo o perigo inútil.
Da magnanimidade resultam a magnificência, a paciência e
a perseverança. A magnanimidade concita aos grandes empreendimentos
em razão de sua excelência e a despeito das suas dificuldades.
A magnificência realiza as grandes obras que a magnanimidade concebe.
A perseverança vai sempre adiante, e a paciência nunca
recua.
A temperança tem por objeto a moderação nos prazeres
dos sentidos. É a regra, a medida e a condição
de toda a virtude. Sem ela a prudência vira astúcia, a
sabedoria carece de medida, a fortaleza excede-se em seu fim e a própria
justiça raia pela falta de eqüidade –“summum
ius summa iniuria”, conforme diz Cícero (De officiis, Livro
I, 10).
São seus elementos a moderação e a honestidade.
Dela derivam a sobriedade no beber e no comer, bem como a castidade,
que regula o uso dos prazeres sexuais e o pudor que lhe corresponde.
Os atos pelos quais se exerce a temperança são os que
correspondem às virtudes de continência, reguladora das
paixões, de humildade, que modera os desejos de grandeza e as
vãs esperanças, de mansidão e de clemência,
que afastam os desejos de vingança, e de modéstia, que
modera o comportamento externo.
P.S.: artigo publicado no periódico Jornal da Cidade (Caxias
– MA), em 22/10/2006.